Epicuro (341–270 a.C.) foi um filósofo grego nascido na ilha de Samos, fundador da escola conhecida como epicurismo. Instalado em Atenas, criou o Jardim, uma comunidade filosófica onde ensinou que o bem supremo é a busca do prazer entendido como ausência de dor (aponia) e tranquilidade da alma (ataraxia). A sua abordagem combinava ética prática com um atomismo materialista da natureza.
Autor prolífico, escreveu cartas e tratados — hoje maioritariamente fragmentários — nos quais confrontou medos religiosos e a ansiedade perante a morte. Embora o termo "epicureu" tenha sido muitas vezes deturpado como incentivo ao hedonismo desregrado, a seu núcleo a doutrina de Epicuro advoga moderação, amizade e vida simples como caminhos para a felicidade. A sua influência perdurou através de autores como Lucrécio e pela redescoberta dos seus fragmentos na Antiguidade e época moderna.
Cronologia
- 341 a.C.: Nascimento de Epicuro em Samo (Samos).
- c. 307 a.C.: Estabelece-se em Atenas e funda o Jardim, escola aberta a homens, mulheres e escravos.
- c. 300–270 a.C.: Produz numerosas cartas e tratados sobre ética, física e teologia; desenvolve o atomismo e a doutrina da ataraxia.
- 270 a.C.: Morte em Atenas, deixando uma escola influente cujos textos se perderiam em grande parte.
- séc. I a.C.: Lucrécio populariza e preserva muitas ideias epicuristas no poema De Rerum Natura.
Sabias que?
- Epicuro escreveu cerca de 300 obras, das quais sobreviveram apenas fragmentos e algumas cartas.
- O Jardim epicurista aceitava mulheres e escravos entre os seus membros — invulgar para a época clássica.
- Introduziu o conceito de 'clinamen' (desvio atomista), uma antecipação da ideia de indeterminação ou acaso na natureza.
Obras Principais: Carta a Meneceu, Doutrinas Principais (Kyriai Doxai), Carta a Heródoto (Sobre a Natureza), Sobre a Natureza (fragmentos)