Ernesto Sábato (1911–2011) foi um escritor, ensaísta e intelectual argentino cuja obra marcou profundamente a literatura hispano-americana do século XX. Nascido em Rojas, iniciou a sua carreira como físico, formando-se na Universidade Nacional de La Plata, mas cedo trocou o laboratório pela escrita. A sua prosa combina intensidade psicológica, reflexões existenciais e uma estilística direta que explora a solidão, a culpa e a condição humana.
Além dos romances que lhe garantiram fama internacional, Sábato destacou-se como figura pública comprometida: presidiu a Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (CONADEP), cujo relatório 'Nunca más' (1984) documentou as violações dos direitos humanos durante a ditadura argentina. Recebeu o Prémio Cervantes em 1984 e continuou a escrever ensaios e memórias até ao fim da vida, deixando uma herança moral e literária duradoura.
Cronologia
- 1911: Nascimento em Rojas, província de Buenos Aires, Argentina (24 de junho).
- 1930s–1940s: Formação em física na Universidade Nacional de La Plata e início de carreira científica; posterior afastamento progressivo da ciência em favor da literatura.
- 1948: Publicação de 'El túnel', romance que o consagrou internacionalmente pelo seu retrato psicológico e existencial.
- 1961: Publicação de 'Sobre héroes y tumbas', obra-prima que inclui o célebre fragmento 'Informe sobre ciegos'.
- 1984: Presidiu a CONADEP; publicação do relatório 'Nunca más' sobre desaparecimentos forçados; recebeu o Prémio Miguel de Cervantes.
- 2011: Morte em Santos Lugares, Argentina (30 de abril), aos 99 anos.
Sabias que?
- Formado em física, Sábato publicou trabalhos científicos antes de se dedicar inteiramente à literatura.
- Além de escritor, foi pintor e expôs várias obras ao longo da sua vida.
- O capítulo 'Informe sobre ciegos', integrado em 'Sobre héroes y tumbas', ganhou vida autónoma e é frequentemente estudado isoladamente pela sua intensidade e mistério.
Obras Principais: El túnel (1948), Sobre héroes y tumbas (1961), Abaddón el exterminador (1974), Nunca más (Relatório CONADEP, 1984)