Gustave Flaubert (Rouen, 1821–1880) foi um romancista francês cujo rigor formal e atenção à frase transformaram a literatura moderna. Filho de um médico, cedo se mostrou atraído pela escrita; após viagens pelo Médio Oriente e longa disciplina artística, alcançou fama e polémica com a publicação de Madame Bovary (1857), que o consagrou como mestre do realismo.
Obcecado pela perfeição estilística, Flaubert trabalhava cada frase até à exaustão, recusando simplificações emocionais em favor da objectividade e da ironia. A sua obra e a sua ética do trabalho influenciaram gerações de escritores, e o seu legado permanece como referência para quem entende o romance como fabrico rigoroso da linguagem.
Cronologia
- 1821: Nascimento em Rouen, França; filho de um cirurgião que lhe proporcionou uma infância confortável e acesso à cultura.
- 1849–1851: Viagem ao Médio Oriente com Maxime Du Camp, experiências que inspirariam descrições exóticas em obras posteriores.
- 1857: Publicação de Madame Bovary; obra provoca escândalo e resulta num processo por ofensa à moral pública, do qual Flaubert sai absolvido.
- 1862: Publicação do romance histórico Salammbô, mostrando o alcance da sua ambição formal e imagética.
- 1869: Publicação de A Educação Sentimental, romance central na sua obra que amplia o panorama crítico da sociedade burguesa.
- 1880: Morte em 8 de Maio; legado consolidado como um dos maiores estilistas da prosa francesa.
Sabias que?
- Manteve um 'Dictionnaire des idées reçues', lista satírica de lugares-comuns que revela a sua aversão à banalidade do pensamento recebido.
- Reescrevia obsessivamente: chegou a passar dias a afinar uma única frase para obter o ritmo e o efeito desejados.
- A célebre afirmação 'Madame Bovary, c'est moi' é provavelmente apócrifa; Flaubert recusava leituras estritamente autobiográficas da sua obra.
Obras Principais: Madame Bovary, Salammbô, A Educação Sentimental, A Tentação de Santo António