Jean Anouilh (1910–1987) foi um dos mais relevantes dramaturgos franceses do século XX. Nascido em Bordeaux, destacou-se por revisitar mitos e temas clássicos através de uma linguagem moderna, elegante e frequentemente amarga. A sua obra percorre a fronteira entre tragédia e farsa, alcançando grande popularidade durante e após a Segunda Guerra Mundial.
Ao longo de décadas Anouilh alternou peças de tom sombrio — as famosas "pièces noires" — com obras mais leves e irónicas, explorando dilemas morais, identidade e o conflito entre idealismo e compromisso. Muitas das suas peças, como Antígona e Becket, tornaram-se marcos teatrais e foram adaptadas ao cinema e a palcos internacionais.
Cronologia
- 1910: Nascimento em Bordeaux (23 de junho), como Jean Maurice Eugène Anouilh.
- 1937: Estreia de Le Voyageur sans bagage, uma das primeiras peças que o coloca no mapa teatral francês.
- 1938: Estreia de Antigone, obra que o consagra e lhe dá enorme visibilidade durante o período pré‑guerra.
- 1953: Estreia de L'Alouette (The Lark), peça sobre Joana d'Arc que reforça a sua reputação internacional.
- 1959: Becket (Becket ou L'Honneur de Dieu) confirma a sua capacidade de tratar temas históricos e morais; posteriormente adaptada ao cinema.
- 1987: Morte em abril, deixando legado duradouro no teatro francês e internacional.
Sabias que?
- Anouilh classificava as suas peças em "pièces noires" (mais sombrias) e "pièces roses" (mais leves), reconhecendo diferentes tonalidades na sua produção.
- A sua peça Becket foi adaptada ao cinema (1964), tornando-se um sucesso internacional e aproximando a sua obra a públicos fora do teatro.
- Durante a ocupação alemã de França, Anouilh manteve visibilidade artística e debateu-se entre compromissos profissionais e escrúpulos morais — um contexto que marcou a recepção das suas obras.
Obras Principais: Antigone (Antígona), Le Voyageur sans bagage (O Viajante Sem Bagagem), L'Alouette (The Lark / A Cotovia), Becket (Becket ou L'Honneur de Dieu), Eurydice (Eurídice)