Marcel Jouhandeau (1888–1979) foi um escritor francês cuja obra atravessa memoir, novela e ensaio. Nascido em Guéret, ganhou reputação pelos seus diários íntimos e por uma prosa afiada, marcada por conflitos morais entre desejo e fé. A sua escrita, frequentemente autobiográfica, explora tensões interiores com ironia e crueldade intelectual.
Ao longo do século XX tornou-se figura polémica: amado por leitores pela coragem confessional e criticado pela ambivalência das suas posições públicas. A sua produção — densa em diários, contos e textos controversos — mantém-se estudada por historiadores literários interessados na relação entre ética, sexualidade e religião.
Cronologia
- 1888: Nascimento em Guéret, França.
- 1910s: Início da actividade literária e aproximação a preocupações religiosas e autobiográficas.
- 1930s: Consolidação da obra com romances e contos que lhe valem reconhecimento na cena literária francesa.
- 1940s: Período de polémica pública e avaliações críticas dos seus posicionamentos durante a Ocupação.
- 1950s-1970s: Publicação contínua de diários e textos íntimos; reforço do estatuto de escritor confessional.
- 1979: Morte; legado literário objecto de reavaliação crítica.
Sabias que?
- Manteve diários extensos ao longo de várias décadas, fonte preciosa para estudos biográficos e culturais.
- Era conhecido pelo afeto aos gatos e por inserir essas relações íntimas em textos e anedotas literárias.
- A sua posição durante a Segunda Guerra Mundial suscitou polémica e impacto duradouro na recepção crítica posterior.
Obras Principais: Journaux (diários, múltiplos volumes), Romances autobiográficos (volumes representativos da sua obra), Contos e ensaios reunidos (seleções frequentemente publicadas)