Frases de Mário Quintana - E que fique muito mal explicad

Frases de Mário Quintana - E que fique muito mal explicad...


Frases de Mário Quintana


E que fique muito mal explicado. Não faço força para ser entendido. Quem faz sentido é soldado...

Mário Quintana

Esta citação desafia a obsessão moderna pela clareza absoluta, sugerindo que a ambiguidade pode ser mais autêntica do que a conformidade. Quintana celebra a complexidade humana que resiste a explicações simplistas.

Significado e Contexto

A citação de Mário Quintana opera em dois níveis interligados. No plano poético, defende que a arte genuína não deve submeter-se à necessidade de ser facilmente decifrada, pois a ambiguidade e a multiplicidade de interpretações são qualidades intrínsecas da criação literária. No plano filosófico-existencial, constitui uma crítica mordaz à pressão social para nos tornarmos 'soldados' do senso comum - indivíduos que seguem obedientemente lógicas pré-estabelecidas, anulando a singularidade do pensamento em prol de uma compreensão imediata e superficial. Quintana valoriza a integridade do processo criativo e existencial acima da aprovação alheia. A metáfora do 'soldado' que 'faz sentido' evoca a ideia de disciplina mental forçada, onde a originalidade é sacrificada no altar da clareza utilitária. O poeta sugere que a verdadeira profundidade humana muitas vezes reside precisamente no que resiste à explicação fácil, no que permanece misterioso e pessoal.

Origem Histórica

Mário Quintana (1906-1994) foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro da geração modernista, conhecido por sua linguagem aparentemente simples que esconde camadas de complexidade. Viveu durante períodos de fortes pressões políticas no Brasil (Estado Novo, ditadura militar), contextos onde 'fazer sentido' muitas vezes significava alinhar-se com discursos oficiais. Sua obra frequentemente desafiava convenções literárias e sociais, celebrando o cotidiano com profundidade filosófica.

Relevância Atual

Esta frase mantém uma relevância extraordinária na era das redes sociais e da comunicação massificada, onde há uma pressão constante para simplificar ideias complexas em formatos digeríveis. Num mundo obcecado com clareza imediata e engajamento rápido, Quintana lembra-nos do valor da nuance, da dúvida e da expressão que não se rende ao algoritmo. É um antídoto contra a polarização e o pensamento binário, defendendo espaço para a ambiguidade e a reflexão pessoal.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Mário Quintana em antologias e coletâneas de suas frases poéticas, embora sua origem exata em uma obra específica seja menos documentada do que seus poemas mais conhecidos. Faz parte do corpus de aforismos e reflexões que circulam associados ao autor.

Citação Original: E que fique muito mal explicado. Não faço força para ser entendido. Quem faz sentido é soldado...

Exemplos de Uso

  • Num debate sobre arte contemporânea, alguém pode usar a frase para defender obras que não buscam uma mensagem óbvia.
  • Um professor de literatura pode citá-la para explicar por que alguns poemas resistem a interpretações únicas.
  • Num contexto de pressão corporativa para simplificar relatórios complexos, um profissional pode referi-la para defender a necessidade de nuance.

Variações e Sinônimos

  • 'A clareza é a cortesia do pensador' (versão oposta de José Ortega y Gasset)
  • 'Nem tudo que é sólido se desmancha no ar' (paródia de Marx sobre resistência)
  • 'Quem explica muito, se complica' (ditado popular)
  • 'A poesia não deve significar, mas ser' (adaptação de Archibald MacLeish)

Curiosidades

Mário Quintana nunca teve um livro publicado por grandes editoras durante seu auge criativo; seus trabalhos eram frequentemente publicados em edições independentes ou jornais, o que reforça sua postura de independência em relação ao establishment literário.

Perguntas Frequentes

O que Quintana quer dizer com 'Quem faz sentido é soldado'?
Quintana usa 'soldado' como metáfora para quem segue ordens intelectuais sem questionar. Quem 'faz sentido' de forma obediente está a sacrificar a originalidade pela conformidade.
Esta citação defende a incompreensão deliberada?
Não, defende a autenticidade acima da clareza forçada. Não é sobre ser incompreensível, mas sobre não distorcer o pensamento para se ajustar a expectativas alheias.
Como aplicar esta ideia na educação?
Incentivando alunos a valorizar perguntas complexas sem respostas fáceis, e a expressar ideias mesmo quando não conseguem formulá-las perfeitamente.
Esta frase contradiz a necessidade de comunicação clara?
Não contradiz, mas equilibra. Há momentos para clareza (como em manuais) e momentos onde a complexidade merece ser preservada (como na arte e no pensamento profundo).

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