Frases de Cícero - Toda arrogância é odiosa, ma...

Toda arrogância é odiosa, mas a arrogância do talento e da eloqüência é uma das mais desagradáveis.
Cícero
Significado e Contexto
Cícero, na sua citação, distingue a arrogância comum de uma forma específica e mais repugnante: a que nasce do talento e da eloquência. Ele argumenta que enquanto qualquer arrogância é desagradável, aquela que se alimenta de capacidades excecionais – como o dom da palavra ou habilidades intelectuais – é particularmente odiosa. Isto porque essas qualidades são socialmente valorizadas e, quando usadas com presunção, criam uma dupla ofensa: não só mostram falta de carácter, como corrompem dons que deveriam servir para o bem comum. A frase reflete a visão estoica e republicana de Cícero, que valorizava a virtude cívica e a modéstia, mesmo nos mais dotados.
Origem Histórica
Marco Túlio Cícero (106-43 a.C.) foi um dos maiores oradores, filósofos e políticos da Roma Republicana. Viveu durante um período de crise e transição para o Império. A sua obra é vasta, incluindo discursos, tratados de retórica e filosofia. Esta citação provavelmente insere-se no seu pensamento ético, que enfatizava a importância da integridade, da justiça e da moderação, especialmente para aqueles com influência e educação. Num contexto de lutas políticas intensas, Cícero via a arrogância, sobretudo a dos demagogos habilidosos, como uma ameaça à República.
Relevância Atual
A frase mantém uma relevância impressionante nos dias de hoje. Nas redes sociais, na política, no mundo empresarial e até nas artes, testemunhamos frequentemente figuras talentosas ou eloquentíssimas que exibem uma arrogância que afasta o público. Cícero lembra-nos que a competência técnica ou a capacidade de comunicação não são desculpas para a falta de humildade. Num mundo que celebra o 'génio' individual, esta reflexão serve como contraponto essencial: o verdadeiro valor do talento mede-se também pela forma como é exercido – com respeito pelos outros e consciência das próprias limitações.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Cícero, mas a sua origem exata (obra ou discurso específico) não é consensual entre os estudiosos. Pode ser uma paráfrase ou síntese de ideias presentes em várias das suas obras, como 'De Officiis' (Sobre os Deveres), onde discute virtude e decoro.
Citação Original: Omnis arrogantia odiosa est, sed ingenii et eloquentiae arrogantia molestissima.
Exemplos de Uso
- Um académico brilhante que desdenha publicamente as perguntas dos seus alunos, mostrando mais interesse em exibir o seu conhecimento do que em partilhá-lo.
- Um político com um discurso impecável que usa a sua eloquência para humilhar adversários em debates, em vez de debater ideias.
- Um artista premiado que trata colegas e críticos com superioridade, como se o seu talento o colocasse acima de normas básicas de respeito.
Variações e Sinônimos
- A soberba é o vício do talento.
- A arrogância é a ruína da sabedoria.
- Quem muito sabe, muito deve humildade.
- O orgulho precede a queda.
Curiosidades
Cícero, apesar de ser um mestre da eloquência e plenamente consciente do seu próprio talento, era também conhecido por uma certa vaidade e sensibilidade à crítica. Esta citação pode, portanto, refletir também uma autocrítica ou um ideal que ele próprio aspirava alcançar.


