Frases de Ovídio - Os covardes esmagam o que já ...

Os covardes esmagam o que já caiu.
Ovídio
Significado e Contexto
A frase 'Os covardes esmagam o que já caiu' de Ovídio constitui uma aguda observação psicológica e moral. Ela descreve como indivíduos covardes tendem a direcionar a sua agressividade para alvos que já se encontram em posição de fraqueza ou vulnerabilidade, evitando assim qualquer confronto que implique risco pessoal. Esta ação revela não só falta de coragem, mas também uma profunda injustiça, pois explora o desequilíbrio de poder em seu próprio benefício, sem propósito construtivo ou justificativa moral. Num sentido mais amplo, a citação transcende o ato físico para criticar comportamentos sociais e morais. Pode aplicar-se a situações de bullying, perseguição a minorias, ataques verbais a quem não pode ripostar, ou mesmo a críticas destrutivas dirigidas a alguém já em dificuldade. Ovídio sugere que a verdadeira medida do carácter de uma pessoa se revela não na forma como lida com os fortes, mas na forma como trata os fracos e os caídos.
Origem Histórica
Ovídio (Publius Ovidius Naso, 43 a.C. - 17/18 d.C.) foi um dos maiores poetas da Roma Antiga, durante o reinado do imperador Augusto. A sua obra, que inclui poesia lírica, elegíaca e épica, frequentemente explorava temas de amor, mitologia, transformação e comportamento humano. Esta citação insere-se na tradição da literatura moralista romana, que reflectia sobre virtudes, vícios e a conduta na sociedade. O período de Augusto foi marcado por estabilidade política mas também por controlo social, onde discussões sobre ética e poder eram comuns nos círculos intelectuais.
Relevância Atual
A frase mantém uma relevância impressionante na sociedade contemporânea, onde fenómenos como cyberbullying, assédio moral no trabalho, perseguição a grupos marginalizados ou ataques mediáticos a figuras públicas em declínio são frequentes. Ela serve como um espelho crítico para comportamentos que, muitas vezes, são normalizados ou ignorados. A reflexão convida a uma autoavaliação ética: questiona se, individual ou colectivamente, estamos a 'esmagar o que já caiu' em vez de oferecer apoio ou, pelo menos, respeito. É um lembrete poderoso para a necessidade de empatia e justiça, especialmente numa era de comunicação instantânea e exposição pública.
Fonte Original: A citação é atribuída a Ovídio, mas a sua origem exata dentro da sua vasta obra (como 'Metamorfoses', 'Ars Amatoria' ou 'Tristia') não é consensualmente identificada em fontes comuns. É frequentemente citada como um aforismo que resume um tema recorrente na sua poesia: a crítica aos vícios humanos.
Citação Original: Ignavus fortuna favet (variante latina que captura ideia semelhante, mas não é a citação exata). A frase em português 'Os covardes esmagam o que já caiu' é a tradução comummente aceite.
Exemplos de Uso
- Um colega de trabalho que só critica um membro da equipa após este cometer um erro grave e ser repreendido pelo chefe.
- Nas redes sociais, utilizadores que atacam ferozmente uma celebridade apenas quando esta já está envolvida num escândalo público.
- Um político que lança acusações duras contra um adversário que acabou de perder uma eleição e está fragilizado.
Variações e Sinônimos
- 'Chutar quem está no chão' (ditado popular)
- 'Atacar o mais fraco'
- 'Aproveitar-se da desgraça alheia'
- 'A coragem dos cobardes mostra-se apenas contra os indefesos'
- 'Quem é valente, enfrenta; quem é covarde, oprime'.
Curiosidades
Ovídio foi exilado pelo imperador Augusto para a remota cidade de Tomis (atual Constança, Roménia), num episódio que permanece envolto em mistério. Alguns estudiosos sugerem que o seu exílio pode estar relacionado com a sua obra 'Ars Amatoria', considerada imoral, ou com intrigas políticas. Esta experiência de queda em desgraça pode ter influenciado a sua sensibilidade para temas de vulnerabilidade e injustiça.


