Frases de Umberto Eco - A leitura é uma necessidade b...

A leitura é uma necessidade biológica da espécie. Nenhum ecrã e nenhuma tecnologia conseguirão suprimir a necessidade de leitura tradicional.
Umberto Eco
Significado e Contexto
Umberto Eco, semiólogo e romancista italiano, propõe nesta afirmação uma visão radical sobre o ato de ler. Ao descrevê-lo como 'necessidade biológica da espécie', Eco vai além das interpretações culturais ou educacionais convencionais, sugerindo que a leitura – particularmente na sua forma tradicional, com livros físicos – está inscrita na própria natureza humana. Esta perspetiva implica que, independentemente dos avanços tecnológicos, o ser humano continuará a buscar o contacto direto com o texto impresso, pois este satisfaz necessidades cognitivas e sensoriais profundas que os ecrãs não conseguem replicar integralmente. A segunda parte da citação estabelece um contraste deliberado entre a 'tecnologia' (representada pelos ecrãs) e a 'leitura tradicional'. Eco não nega a utilidade ou disseminação das novas tecnologias, mas afirma a sua incapacidade de 'suprimir' – ou seja, eliminar ou substituir completamente – a necessidade ancestral de ler em suportes físicos. Esta defesa não é nostálgica, mas baseada numa compreensão da leitura como prática multimodal que envolve tato, olfato, memória espacial e uma relação temporal única com o objeto livro.
Origem Histórica
Embora a citação seja frequentemente atribuída a discursos e entrevistas de Umberto Eco nas décadas de 1990 e 2000 – período de expansão acelerada da internet e dos dispositivos digitais –, ela sintetiza temas centrais da sua obra. Eco, nascido em 1932, foi testemunha da transição entre a cultura impressa dominante e a emergência da cultura digital. Como académico especializado em semiótica (estudo dos signos) e autor de romances como 'O Nome da Rosa', dedicou grande parte da sua carreira a analisar como os seres humanos produzem e interpretam textos, defendendo sempre o valor insubstituível da leitura aprofundada e crítica.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância aguda no contexto contemporâneo de dominância dos smartphones, tablets e e-readers. Num mundo onde a leitura fragmentada em ecrãs se tornou ubíqua, a reflexão de Eco serve como contraponto essencial para debates sobre: 1) A preservação da atenção profunda (deep reading), ameaçada pela leitura digital superficial; 2) O valor educativo e cognitivo do livro físico, especialmente no desenvolvimento infantil; 3) A importância cultural das bibliotecas e livrarias como espaços físicos; e 4) A discussão sobre se a tecnologia está a moldar – ou a limitar – as nossas capacidades cognitivas inatas. A frase desafia a noção de progresso linear, lembrando que algumas necessidades humanas são atemporais.
Fonte Original: A citação é frequentemente citada a partir de entrevistas e discursos públicos de Umberto Eco, especialmente em conferências sobre o futuro do livro e das bibliotecas. Não está identificada num livro específico, mas ecoa ideias presentes em obras como 'Sobre a Literatura' (2002) e nas suas crónicas para a revista 'L'Espresso'.
Citação Original: La lettura è un bisogno biologico della specie. Nessuno schermo e nessuna tecnologia riusciranno a sopprimere il bisogno della lettura tradizionale.
Exemplos de Uso
- Em debates sobre a importância de manter bibliotecas escolares com livros físicos, apesar dos investimentos em tablets educativos.
- Como argumento em artigos que defendem a leitura em papel para melhor retenção de informação e menor fadiga visual.
- Em campanhas de promoção do livro impresso, contrastando a experiência sensorial do papel com a frieza dos ecrãs digitais.
Variações e Sinônimos
- "O livro impresso é uma extensão do corpo humano." (adaptado de Marshall McLuhan)
- "A leitura é para a mente o que o exercício é para o corpo." (Joseph Addison)
- "Um quarto sem livros é como um corpo sem alma." (Cícero)
- "A tecnologia avança, mas o coração humano permanece o mesmo."
Curiosidades
Umberto Eco possuía uma biblioteca pessoal com mais de 50.000 volumes, organizada meticulosamente por temas – um testemunho físico do seu compromisso com a 'leitura tradicional' que defendia.


