Frases de Baltasar Gracian - O que ontem era pasmo, hoje é...

O que ontem era pasmo, hoje é desprezo.
Baltasar Gracian
Significado e Contexto
Esta citação do pensador espanhol Baltasar Gracián explora a rapidez com que as sociedades humanas assimilam e depois menosprezam o que inicialmente causava espanto. No primeiro nível, refere-se à capacidade humana de se habituar rapidamente ao extraordinário, transformando maravilhas em trivialidades. Num sentido mais profundo, critica a volubilidade do juízo humano e a efemeridade dos valores sociais, onde o novo rapidamente perde o seu encanto perante a próxima novidade. Gracián sugere que este fenómeno é tanto psicológico como social: individualmente, perdemos a capacidade de admiração através da habituação; coletivamente, desvalorizamos conquistas passadas enquanto perseguimos constantemente inovações. A frase alerta para o perigo de subestimar realizações históricas e para a necessidade de cultivar uma perspetiva mais ponderada sobre o progresso e a novidade.
Origem Histórica
Baltasar Gracián (1601-1658) foi um jesuíta, escritor e filósofo espanhol do Século de Ouro espanhol. Viveu durante um período de declínio político e económico do Império Espanhol, o que influenciou a sua visão cética sobre a natureza humana e as instituições sociais. A sua obra caracteriza-se por um estilo aforístico e uma perspetiva realista sobre o comportamento humano, frequentemente comparado a Maquiavel pela sua análise pragmática das relações sociais.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância extraordinária na era digital, onde as inovações tecnológicas, tendências culturais e conquistas científicas são rapidamente celebradas e depois esquecidas. A velocidade da comunicação global acelerou este ciclo de 'pasmo a desprezo', com fenómenos virais que capturam a atenção mundial apenas para serem substituídos em dias ou horas. A citação ajuda a compreender a cultura do descartável, o cansaço informativo e a dificuldade em manter o espanto genuíno num mundo de estímulos constantes.
Fonte Original: Provavelmente da obra 'Oráculo Manual e Arte de Prudência' (1647), uma coleção de 300 aforismos que constitui a sua obra mais conhecida, embora a citação específica possa aparecer noutras das suas obras.
Citação Original: Lo que ayer era pasmo, hoy es desprecio.
Exemplos de Uso
- As redes sociais exemplificam este princípio: um vídeo que causa espanto numa segunda-feira é completamente ignorado na quarta-feira seguinte.
- Na tecnologia, smartphones que eram revolucionários há cinco anos são hoje considerados obsoletos e lentos.
- Nas artes, movimentos vanguardistas que chocavam as plateias tornam-se rapidamente convencionais e até clichés.
Variações e Sinônimos
- Nada é tão velho como o jornal de ontem
- A novidade tem vida curta
- O extraordinário de hoje é o comum de amanhã
- A admiração é passageira
- Tudo envelhece, até o espanto
Curiosidades
Gracián publicou muitas das suas obras sob pseudónimo (Lorenzo Gracián) para evitar problemas com a hierarquia jesuíta, que considerava alguns dos seus escritos demasiado mundanos. A sua obra influenciou pensadores tão diversos como Schopenhauer e Nietzsche.


