Frases de Sigmund Freud - Que progresso nós estamos faz...

Que progresso nós estamos fazemos. Na idade média teriam queimado-me. Agora estão contentes em queimar meus livros.
Sigmund Freud
Significado e Contexto
Esta citação de Sigmund Freud captura uma ironia profunda sobre a natureza do progresso humano. Freud observa que, enquanto a sociedade evoluiu da violência física extrema (a queima de pessoas na Idade Média) para formas aparentemente mais civilizadas, a essência da intolerância persiste. A queima dos seus livros simboliza a rejeição das suas ideias revolucionárias sobre psicanálise, sexualidade e o inconsciente, que desafiavam normas sociais e religiosas da época. A frase sugere que o 'progresso' pode ser superficial quando as estruturas de pensamento autoritário e a resistência a ideias disruptivas permanecem inalteradas. Freud utiliza um contraste histórico para destacar como a perseguição intelectual substituiu a perseguição física, mas não a eliminou. A citação reflete o seu ceticismo em relação a narrativas lineares de progresso, enfatizando que as sociedades podem adotar novos métodos para suprimir o pensamento divergente. No contexto educativo, esta análise convida à reflexão sobre como as sociedades modernas lidam com ideias controversas e quais formas de censura ainda existem sob o disfarce de civilização.
Origem Histórica
Sigmund Freud (1856-1939), o fundador da psicanálise, viveu numa época de grandes transformações sociais e científicas. As suas teorias sobre sexualidade infantil, o inconsciente e a interpretação dos sonhos foram altamente controversas no início do século XX, desafiando valores vitorianos e religiosos. A citação provavelmente surge no contexto da crescente oposição às suas obras, especialmente na década de 1930, quando os nazis queimaram os seus livros em praças públicas na Alemanha, considerando-as 'degeneradas'. Freud, sendo judeu e com ideias revolucionárias, enfrentou perseguição tanto como indivíduo quanto como intelectual.
Relevância Atual
Esta frase mantém-se relevante hoje porque ilustra a persistência da censura e da intolerância em novas formas. Nas sociedades contemporâneas, vemos 'queimas de livros' simbólicas através de cancelamentos culturais, censura online, boicotes a autores ou supressão de discursos académicos. A citação alerta para o perigo de assumir que o progresso tecnológico ou social elimina automaticamente o preconceito, incentivando uma análise crítica sobre como as ideias são recebidas e combatidas no século XXI.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Freud em contextos biográficos, mas a origem exata não é documentada num único livro ou discurso. É citada em várias biografias e compilações das suas frases, refletindo a sua atitude perante a perseguição que enfrentou.
Citação Original: What progress we are making. In the Middle Ages they would have burned me. Now they are content with burning my books.
Exemplos de Uso
- Num debate sobre liberdade académica, um professor pode usar esta frase para criticar a censura moderna em universidades.
- Em discussões sobre redes sociais, a citação ilustra como plataformas podem 'queimar' ideias através de desmonetização ou remoção de conteúdo.
- Num contexto histórico, serve para comparar a perseguição a Freud com a queima de livros em regimes autoritários atuais.
Variações e Sinônimos
- 'A história repete-se, primeiro como tragédia, depois como farsa' - Karl Marx
- 'Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo' - George Santayana
- 'A censura é a filha mais nova da violência' - provérbio adaptado
Curiosidades
Freud fugiu da Áustria em 1938 após a anexação nazi, salvando-se da perseguição física, mas os nazis queimaram publicamente os seus livros em Berlim em 1933, junto com obras de outros autores 'indesejáveis'.


