Frases de Franz Kafka - A nossa arte consiste em sermo...

A nossa arte consiste em sermos ofuscados pela verdade: a luz sobre o rosto horrível que vai recuando é verdadeira, de resto nada.
Franz Kafka
Significado e Contexto
A citação de Kafka descreve a verdade não como algo reconfortante, mas como uma luz intensa que ofusca ao revelar um 'rosto horrível' - uma realidade desagradável ou aterradora. Esta imagem sugere que a verdadeira compreensão implica confrontar aspectos perturbadores da existência, enquanto tudo o resto (ilusões, confortos, aparências) é falso ou insignificante. O 'rosto horrível que vai recuando' pode simbolizar a natureza fugidia da verdade absoluta ou o modo como a realidade mais profunda se afasta quando tentamos fixá-la, mantendo-se sempre além do nosso alcance completo. Num tom educativo, esta ideia conecta-se com temas kafkianos como o absurdo, a alienação e a busca por sentido num mundo incompreensível. Kafka propõe que a 'arte' (ou a busca humana) reside precisamente em sermos 'ofuscados' por esta verdade - ou seja, em abraçar a cegueira ou confusão que resulta de encarar o núcleo mais sombrio da realidade. É uma visão que desafia noções otimistas de verdade como iluminação, apresentando-a antes como uma força destabilizadora e perturbadora.
Origem Histórica
Franz Kafka (1883-1924) escreveu durante um período de grande agitação na Europa, marcado pela Primeira Guerra Mundial, pela burocratização crescente das sociedades modernas e por mudanças profundas na psique humana. A sua obra reflete a ansiedade, o isolamento e o absurdo experimentados pelo indivíduo perante sistemas opressivos (familiares, jurídicos, estatais). Esta citação encapsula a sua visão existencialista, influenciada por correntes como o expressionismo e por questões identitárias ligadas à sua condição de judeu de língua alemã em Praga.
Relevância Atual
A frase mantém relevância hoje porque fala à experiência contemporânea de desinformação, pós-verdade e crises existenciais. Numa era de notícias falsas e realidades alternativas, a ideia de que a verdade pode ser ofuscante e horrível ressoa com a dificuldade de discernir factos autênticos. Além disso, em contextos como a saúde mental, a justiça social ou a crise climática, confrontar verdades desconfortáveis ('o rosto horrível') é visto como necessário, embora doloroso. A citação também ecoa em discussões filosóficas e artísticas sobre a natureza da realidade e a aceitação do absurdo.
Fonte Original: A citação é atribuída a Franz Kafka, mas a sua origem exata dentro da sua obra não é consensual entre estudiosos. Pode derivar dos seus diários, aforismos ou correspondência, onde frequentemente explorava temas similares.
Citação Original: Unsere Kunst ist ein von der Wahrheit Geblendet-Sein: Das Licht auf dem zurückweichenden Fratzengesicht ist wahr, alles andere ist nicht wahr.
Exemplos de Uso
- Num debate sobre ética na inteligência artificial, um especialista usou a frase para argumentar que devemos encarar os riscos reais ('o rosto horrível') em vez de nos distrairmos com promessas tecnológicas ilusórias.
- Num artigo sobre saúde mental, a citação ilustrou a ideia de que a terapia exige confrontar memórias dolorosas (a 'verdade ofuscante') para alcançar a cura.
- Num discurso sobre justiça social, um ativista referiu 'a luz sobre o rosto horrível' para descrever a necessidade de reconhecer o racismo estrutural, mesmo que essa verdade seja difícil de aceitar.
Variações e Sinônimos
- A verdade é uma luz que cega
- Confrontar o monstro interior
- A realidade por detrás da máscara
- Ver o que não se quer ver
- Ditado popular: 'A verdade dói'
Curiosidades
Kafka pediu ao seu amigo Max Brod que queimasse todos os seus manuscritos após a sua morte; Brod desobedeceu, salvando obras como 'O Processo' e 'O Castelo', o que permitiu que frases como esta chegassem ao público.
Perguntas Frequentes
O que significa 'o rosto horrível' na citação de Kafka?
Por que Kafka diz que a arte é 'ofuscada pela verdade'?
Esta citação está relacionada com o conceito de 'kafkiano'?
Como aplicar esta ideia na vida quotidiana?
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