Frases de José Saramago - O tempo das verdades plurais a

Frases de José Saramago - O tempo das verdades plurais a...


Frases de José Saramago


O tempo das verdades plurais acabou. Vivemos no tempo da mentira universal. Nunca se mentiu tanto. Vivemos na mentira, todos os dias.

José Saramago

Esta citação de Saramago confronta-nos com a erosão da verdade na sociedade contemporânea. Sugere que a multiplicidade de perspectivas foi substituída por uma mentira sistémica que permeia o quotidiano.

Significado e Contexto

A citação de Saramago descreve uma transição histórica: o fim das 'verdades plurais', que poderiam representar debates ideológicos ou diversidade de perspetivas, e a entrada numa era de 'mentira universal'. Esta não se refere apenas a falsidades isoladas, mas a um fenómeno sistémico onde a mentira se normalizou, tornando-se parte integrante da vida diária. A expressão 'nunca se mentiu tanto' enfatiza uma escalada quantitativa e qualitativa, sugerindo que a desonestidade atingiu níveis sem precedentes na comunicação social, política e interpessoal. Saramago, conhecido pelo seu cepticismo em relação ao poder e às instituições, parece alertar para a perda de referências éticas comuns. A 'mentira universal' pode ser interpretada como a colonização do discurso público por narrativas manipuladoras, onde os factos são subjugados por interesses. Esta visão reflecte uma preocupação profunda com a capacidade da sociedade discernir a realidade, pondo em causa os alicerces da democracia e da confiança social.

Origem Histórica

José Saramago (1922-2010), Prémio Nobel de Literatura em 1998, era um escritor português conhecido pela sua crítica social e política. A citação surge no contexto do final do século XX e início do XXI, um período marcado pela globalização, ascensão dos media digitais e crises de legitimidade institucional. Saramago, atento às transformações sociais, frequentemente explorava temas como a opressão, a burocracia e a alienação nas suas obras, como em 'Ensaio sobre a Cegueira' (1995). Esta frase pode ser associada ao seu cepticismo crescente face ao poder mediático e político na era pós-moderna.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância aguda hoje devido à proliferação de desinformação ('fake news'), algoritmos de redes sociais que amplificam falsidades, e discursos políticos baseados em emoções em vez de factos. Conceitos como 'pós-verdade' e 'deepfakes' exemplificam a 'mentira universal' descrita por Saramago, onde a distinção entre verdade e falsidade se torna cada vez mais ténue. A citação serve como um alerta para os perigos da erosão da verdade objetiva na saúde democrática e no debate público.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a José Saramago em discursos e entrevistas, mas não está confirmada numa obra literária específica. Pode derivar de declarações públicas ou escritos ensaísticos do autor, refletindo o seu pensamento maduro sobre a sociedade contemporânea.

Citação Original: O tempo das verdades plurais acabou. Vivemos no tempo da mentira universal. Nunca se mentiu tanto. Vivemos na mentira, todos os dias.

Exemplos de Uso

  • Em debates sobre desinformação nas redes sociais, esta citação ilustra a normalização da falsidade.
  • Analistas políticos usam-na para criticar a retórica populista que distorce factos para ganhar apoio.
  • Em contextos educativos, serve para discutir a importância do pensamento crítico numa era digital.

Variações e Sinônimos

  • A verdade tornou-se uma mercadoria rara.
  • Vivemos na era da pós-verdade.
  • A mentira é a nova moeda do poder.
  • Ditado popular: 'Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade'.
  • Frase similar: 'A verdade é a primeira vítima da guerra'.

Curiosidades

José Saramago foi o primeiro e único escritor de língua portuguesa a receber o Prémio Nobel de Literatura, em 1998. A sua obra é marcada por um estilo único, com frases longas e pouca pontuação, o que reflete o fluxo contínuo do pensamento e da crítica social.

Perguntas Frequentes

O que significa 'verdades plurais' na citação de Saramago?
Refere-se à coexistência de múltiplas perspetivas ou ideologias que, apesar de diferentes, eram baseadas em algum grau de factualidade ou debate racional, em contraste com a mentira universal atual.
Por que é a citação relevante na era digital?
Porque a internet e as redes sociais facilitaram a disseminação em massa de desinformação, exemplificando a 'mentira universal' onde falsidades podem viralizar rapidamente, afetando eleições e opinião pública.
Saramago era pessimista sobre o futuro da verdade?
Saramago expressava cepticismo, mas a sua obra também convida à reflexão e ação. A citação serve mais como um alerta do que uma condenação definitiva, incentivando a vigilância crítica.
Esta citação está num livro específico de Saramago?
Não está confirmada numa obra literária publicada. É mais comum em citações atribuídas a ele em discursos ou entrevistas, refletindo ideias presentes em ensaios e intervenções públicas.

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