Frases de José Saramago - Nós estamos a assistir ao que...

Nós estamos a assistir ao que eu chamaria a morte do cidadão e, no seu lugar, o que temos e, cada vez mais, é o cliente. Agora já ninguém nos pergunta o que é que pensamos, agora perguntam-nos qual a marca do carro, de fato, de gravata que temos, quanto ganhamos...
José Saramago
Significado e Contexto
A citação de José Saramago aponta para uma transformação profunda na sociedade contemporânea: a substituição do 'cidadão' pelo 'cliente'. O cidadão é um ser polÃtico, dotado de direitos, deveres e capacidade crÃtica, que participa ativamente na vida da polis. O cliente, por outro lado, é definido pelo seu poder de compra, pelos bens que consome e pelo seu estatuto económico. Saramago critica esta redução da identidade humana a meros atributos materiais, sugerindo que as questões essenciais sobre pensamento, valores e participação cÃvica estão a ser eclipsadas por inquéritos sobre posses e marcas. É uma denúncia da alienação e da perda de profundidade nas relações sociais e na auto-perceção.
Origem Histórica
José Saramago (1922-2010), Prémio Nobel da Literatura em 1998, é conhecido pelas suas obras de forte crÃtica social e polÃtica, muitas vezes centradas na condição humana, na ética e no exercÃcio do poder. A citação reflete preocupações constantes na sua obra, como a defesa da democracia participativa, a crÃtica ao capitalismo desregulado e a denúncia da desumanização nas sociedades modernas. Embora a origem exata desta frase especÃfica possa ser de um discurso ou entrevista (Saramago era um interveniente público frequente), o tema é central em obras como 'Ensaio sobre a Cegueira' ou 'As Intermitências da Morte', onde explora a fragilidade dos sistemas sociais e a essência da humanidade.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância aguda hoje, numa era de hiperconsumismo, redes sociais (onde a imagem e as posses são frequentemente exibidas) e economias de mercado globalizadas. A polÃtica muitas vezes parece reduzida a escolhas de consumo, os debates públicos são influenciados por marcas e o valor pessoal é frequentemente medido por métricas materiais. A ascensão do 'influenciador' como modelo social e a pressão para a performance constante reforçam a ideia de que somos, antes de mais, clientes num mercado de identidades. A frase alerta para os riscos de uma sociedade que privilegia o ter sobre o pensar e o participar.
Fonte Original: Provavelmente de um discurso, entrevista ou intervenção pública de José Saramago. Não está identificada com uma obra literária especÃfica, mas é coerente com o seu pensamento e intervenção cÃvica.
Citação Original: Nós estamos a assistir ao que eu chamaria a morte do cidadão e, no seu lugar, o que temos e, cada vez mais, é o cliente. Agora já ninguém nos pergunta o que é que pensamos, agora perguntam-nos qual a marca do carro, de fato, de gravata que temos, quanto ganhamos...
Exemplos de Uso
- Num debate sobre polÃtica, alguém pode usar a frase para criticar campanhas eleitorais focadas em promessas materiais em vez de projetos de sociedade.
- Num artigo sobre sustentabilidade, pode ilustrar a crÃtica ao consumismo desenfreado e à perda de valores comunitários.
- Numa discussão sobre redes sociais, serve para questionar se a nossa identidade online se resume a uma curadoria de bens e experiências de consumo.
Variações e Sinônimos
- Do cidadão ao consumidor: a transformação da identidade social.
- A sociedade que valora mais o ter do que o ser.
- Quando as marcas substituem as ideias.
- A mercantilização da vida quotidiana.
Curiosidades
José Saramago foi o primeiro e, até agora, único escritor de lÃngua portuguesa a receber o Prémio Nobel da Literatura. Era conhecido pelo seu ateÃsmo e por uma escrita que desafiava convenções, usando pontuação mÃnima e frases longas para criar um fluxo narrativo único.