Frases de Agustina Bessa-Luís - A sociedade prosseguirá em es...

A sociedade prosseguirá em estado de violência, porque o homem não prescinde da sua enfermidade moral que é achar-se inútil num mundo que não criou.
Agustina Bessa-Luís
Significado e Contexto
A citação de Agustina Bessa-Luís propõe que a violência na sociedade não é um fenómeno aleatório, mas sim uma consequência direta de uma 'enfermidade moral' humana: a sensação de inutilidade perante um mundo que não criámos. Esta ideia sugere que, quando os indivíduos não encontram propósito ou agência nas estruturas sociais e existenciais que os rodeiam, recorrem a formas de violência como expressão da sua frustração e alienação. A autora apresenta assim uma visão psicológica e filosófica onde o mal-estar individual se transforma em conflito coletivo, questionando as bases do significado humano na civilização. Num segundo nível, a frase aborda a relação paradoxal entre criação e pertença. O 'mundo que não criou' refere-se não apenas ao universo físico, mas também às estruturas sociais, políticas e culturais herdadas. A inutilidade surge então da perceção de que somos meros espectadores ou peões num sistema pré-estabelecido, levando a uma violência que é tanto reativa quanto sintomática da nossa desconexão com o propósito coletivo.
Origem Histórica
Agustina Bessa-Luís (1922-2019) foi uma das mais importantes escritoras portuguesas do século XX, ativa durante períodos de transformação social como o Estado Novo e a Revolução dos Cravos. A sua obra, frequentemente centrada na psicologia humana e nas complexidades morais, reflete um Portugal em mudança, onde tradição e modernidade colidiam. Esta citação encapsula a sua visão crítica sobre as tensões sociais e a natureza humana, influenciada pelo contexto histórico de um país que lutava com identidade e transformação.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância impressionante no século XXI, onde fenómenos como alienação digital, crises de identidade social e polarização política reflectem a mesma 'enfermidade moral'. A sensação de inutilidade perante globalização, inteligência artificial e estruturas económicas impessoais continua a gerar violência simbólica e real, desde discursos de ódio online até conflitos sociais. A citação ajuda a compreender movimentos populistas, radicalizações e o mal-estar contemporâneo como sintomas dessa desconexão existencial.
Fonte Original: A citação é atribuída a Agustina Bessa-Luís, mas a obra específica não é identificada com certeza na maioria das fontes. Aparece frequentemente em antologias de citações e análises da sua obra, sendo associada ao seu estilo filosófico e reflexivo característico.
Citação Original: A sociedade prosseguirá em estado de violência, porque o homem não prescinde da sua enfermidade moral que é achar-se inútil num mundo que não criou.
Exemplos de Uso
- Na análise de movimentos sociais extremistas, onde jovens recorrem à violência por se sentirem marginalizados num sistema económico que não controlam.
- Para explicar a alienação no trabalho moderno, onde funcionários se sentem insignificantes em corporações globais, levando a conflitos laborais.
- Em discussões sobre saúde mental contemporânea, onde a falta de propósito gera ansiedade e comportamentos autodestrutivos como forma de violência internalizada.
Variações e Sinônimos
- A violência nasce da impotência perante o mundo
- O homem é violento porque se sente estranho na própria existência
- A inutilidade gera conflito social
- Ditado popular: 'Cão com fome, morde em qualquer lado' (analogia com frustração humana)
Curiosidades
Agustina Bessa-Luís foi a primeira mulher a receber o Prémio Camões, o mais importante galardão literário da língua portuguesa, em 2004, reconhecendo uma carreira dedicada a explorar a complexidade moral portuguesa.


