Frases de Mia Couto - Em velho o que mais tememos é

Frases de Mia Couto - Em velho o que mais tememos é...


Frases de Mia Couto


Em velho o que mais tememos é a queda. Não é a queda no escuro da cova. Mas o cair no próprio passo, como se o osso já obedecesse à convocatória do chão.

Mia Couto

Esta citação de Mia Couto explora poeticamente o medo do envelhecimento, não como um temor da morte, mas como uma perda gradual de autonomia. Reflete sobre como o corpo, com o tempo, começa a trair a vontade, antecipando o seu próprio fim.

Significado e Contexto

A citação distingue dois tipos de queda: a física, no 'escuro da cova' (alusão à morte), e a metafórica, 'no próprio passo'. Esta última representa o declínio gradual da autonomia física no envelhecimento, onde o corpo deixa de responder com a mesma firmeza. O 'osso já obedece à convocatória do chão' sugere uma submissão interna, uma predisposição biológica para a fragilidade, que antecede a queda final. É uma reflexão sobre a perda de controlo e a consciência da própria vulnerabilidade, mais temida do que a morte em si. Num tom educativo, podemos entender esta frase como uma metáfora para os processos de envelhecimento onde a independência se esvai. Não se trata apenas de um acidente, mas de um processo interno onde o corpo 'convoca' o seu próprio declínio. Esta perspetiva convida a uma reflexão sobre dignidade, aceitação e as mudanças físicas inevitáveis que desafiam a nossa identidade e autoimagem.

Origem Histórica

Mia Couto, escritor moçambicano nascido em 1955, é conhecido por uma escrita poética que mistura realismo e elementos mágicos, refletindo sobre identidade, tradição e transformação social. A citação pode estar inserida no contexto das suas obras que exploram a condição humana, o tempo e a memória, frequentemente com uma sensibilidade aguda para as metáforas do corpo e da natureza. A sua produção literária surge num Moçambique pós-colonial, onde questões de enraizamento e mudança são centrais.

Relevância Atual

Esta frase mantém relevância hoje devido ao envelhecimento populacional global e ao aumento da discussão sobre qualidade de vida na velhice. Num mundo obcecado com juventude e produtividade, a citação lembra-nos da vulnerabilidade humana e da importância de cuidar da autonomia e dignidade em todas as fases da vida. Ressoa também em contextos de saúde pública, cuidados paliativos e debates sobre ética do envelhecimento.

Fonte Original: A citação é atribuída a Mia Couto, mas a obra específica não é indicada na consulta. É comum em antologias ou discursos do autor.

Citação Original: Em velho o que mais tememos é a queda. Não é a queda no escuro da cova. Mas o cair no próprio passo, como se o osso já obedecesse à convocatória do chão.

Exemplos de Uso

  • Num debate sobre gerontologia, pode ilustrar o medo da perda de autonomia física.
  • Num contexto literário, serve para analisar metáforas do corpo na obra de Mia Couto.
  • Em terapia ou apoio a idosos, ajuda a verbalizar o receio de quedas e dependência.

Variações e Sinônimos

  • 'O medo de tropeçar na própria sombra' (expressão similar sobre autossabotagem).
  • 'O corpo já não responde como antes' (ditado popular sobre envelhecimento).
  • 'A convocação do tempo no osso' (variação poética).

Curiosidades

Mia Couto, além de escritor, é biólogo, o que pode influenciar a sua atenção aos processos naturais do corpo, como o envelhecimento, descritos com precisão quase científica nesta citação.

Perguntas Frequentes

O que significa 'a convocatória do chão' na citação?
É uma metáfora para a atração gravitacional ou destino final do corpo, sugerindo que, no envelhecimento, os ossos parecem predispostos a ceder, antecipando a morte.
Por que Mia Couto foca no medo da queda e não da morte?
Porque a queda simboliza a perda de controlo e autonomia no quotidiano, um temor mais imediato e humano do que a morte abstrata.
Esta citação aplica-se apenas a idosos?
Não, é uma reflexão universal sobre vulnerabilidade, mas foca-se no envelhecimento como momento onde esse medo se intensifica.
Qual a importância literária desta frase?
Exemplifica a escrita poética de Couto, que usa imagens concretas (osso, chão) para explorar temas filosóficos profundos como o tempo e a mortalidade.

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