Frases de José Saramago - Eu não gosto de falar de feli

Frases de José Saramago - Eu não gosto de falar de feli...


Frases de José Saramago


Eu não gosto de falar de felicidade, mas sim de harmonia: viver em harmonia com a nossa própria consciência, com o nosso meio envolvente, com a pessoa de quem se gosta, com os amigos. A harmonia é compatível com a indignação e a luta; a felicidade não, a felicidade é egoísta.

José Saramago

Saramago convida-nos a transcender a busca efémera pela felicidade, propondo em seu lugar a harmonia como um estado mais profundo e duradouro. Esta harmonia não exclui o conflito, mas integra-o numa vida autêntica e comprometida.

Significado e Contexto

Saramago distingue radicalmente 'harmonia' de 'felicidade'. Para o autor, a felicidade é um conceito frequentemente associado a um estado de contentamento pessoal e, por vezes, egoísta, que pode ignorar as injustiças do mundo. A harmonia, pelo contrário, é apresentada como um equilíbrio dinâmico e consciente. Implica viver em sintonia com a própria consciência (autenticidade), com o meio ambiente (sustentabilidade e pertença), e com os outros (relações significativas). O aspeto mais revolucionário da sua ideia é que esta harmonia é 'compatível com a indignação e a luta'. Ou seja, uma vida harmoniosa não é uma vida passiva ou conformista, mas sim uma vida engajada, que pode e deve incluir o combate às injustiças. A harmonia, assim, torna-se um projeto ético e relacional, muito mais rico e exigente do que a mera busca de prazer individual.

Origem Histórica

José Saramago (1922-2010), Prémio Nobel da Literatura em 1998, é um dos maiores escritores de língua portuguesa. A sua obra é marcada por um profundo humanismo, crítica social aguda e uma perspetiva ética sobre a condição humana. Esta citação reflete o seu pensamento cético em relação a conceitos absolutos e a sua defesa intransigente da consciência individual perante o poder e a injustiça. Surge num contexto de entrevistas e discursos nos quais Saramago discutia ética, política e o sentido da vida, afastando-se de noções simplistas de bem-estar.

Relevância Atual

Num mundo obcecado com a 'cultura da felicidade' e métricas de bem-estar superficial, a reflexão de Saramago é profundamente atual. Oferece um antídoto contra a pressão para sermos constantemente felizes, uma exigência que pode gerar frustração e alienação. A ideia de uma harmonia que inclui a luta ressoa com movimentos contemporâneos de justiça social, ambientalismo e saúde mental, que defendem que o bem-estar genuíno não pode ser dissociado do compromisso com um mundo mais justo. É um convite a uma vida mais integrada, consciente e corajosa.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a entrevistas e discursos públicos de José Saramago. Não está identificada num romance ou obra específica, mas encapsula temas centrais do seu pensamento, expressos em obras como 'Ensaio sobre a Cegueira' ou 'As Intermitências da Morte'.

Citação Original: Eu não gosto de falar de felicidade, mas sim de harmonia: viver em harmonia com a nossa própria consciência, com o nosso meio envolvente, com a pessoa de quem se gosta, com os amigos. A harmonia é compatível com a indignação e a luta; a felicidade não, a felicidade é egoísta.

Exemplos de Uso

  • Um ativista ambiental pode viver em harmonia ao lutar contra as alterações climáticas, alinhando a sua ação com a sua consciência e com o meio que pretende proteger, mesmo que essa luta não lhe traga 'felicidade' constante.
  • Num relacionamento, a harmonia pode significar enfrentar conflitos necessários para crescimento mútuo, em vez de evitar discussões para manter uma aparência superficial de felicidade.
  • No local de trabalho, um profissional pode buscar harmonia ao denunciar uma prática antiética, agindo em consonância com os seus valores, mesmo que isso traga desconforto momentâneo.

Variações e Sinônimos

  • 'A paz de espírito vale mais do que a alegria passageira.'
  • 'Viver em paz consigo mesmo e com o mundo.'
  • 'A verdadeira plenitude nasce do equilíbrio, não do prazer.'
  • 'O contentamento é interno; a felicidade, muitas vezes, é uma expectativa externa.'

Curiosidades

José Saramago só publicou o seu primeiro romance com 60 anos ('Levantado do Chão', 1980), tornando-se depois um dos escritores mais prolíficos e aclamados do século XX, prova de que a sua 'harmonia' com a escrita veio com a maturidade e a persistência.

Perguntas Frequentes

Por que é que Saramago considera a felicidade egoísta?
Saramago associa a felicidade a um estado de contentamento pessoal que pode levar ao conformismo e à indiferença perante o sofrimento alheio ou as injustiças sociais. A harmonia, para ele, é um conceito mais abrangente que inclui o bem-estar coletivo.
Como posso praticar esta 'harmonia' no dia a dia?
Praticar a harmonia implica reflexão constante: agir de acordo com os seus valores (consciência), cuidar do ambiente que o rodeia, nutrir relações autênticas e permitir-se sentir e agir perante a injustiça, sem reprimir a indignação legítima.
Esta ideia contradiz a psicologia positiva?
Não necessariamente. Pode complementá-la. A psicologia positiva estuda o bem-estar de forma ampla, que pode incluir conceitos como 'florescimento' (eudaimonia), semelhante à harmonia de Saramago, que vai além da mera emoção positiva (hedonia).
Em que obras de Saramago este tema é mais explorado?
Temas de consciência, ética e a crítica à passividade perante o poder são centrais em 'Ensaio sobre a Cegueira', 'O Evangelho segundo Jesus Cristo' e 'Ensaio sobre a Lucidez'.

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