Frases de Clarice Lispector - Tem sentido correr tanto atrá...

Tem sentido correr tanto atrás da felicidade, será que basta ser feliz? Será que ser feliz é um estado de tolerância?
Clarice Lispector
Significado e Contexto
Esta citação de Clarice Lispector desafia a noção convencional de felicidade como um objetivo a ser alcançado através de esforço contínuo. Ao perguntar 'será que basta ser feliz?', a autora sugere que a felicidade pode não ser um fim em si mesma, mas sim uma condição mais subtil. A segunda parte, 'será que ser feliz é um estado de tolerância?', propõe que a felicidade talvez resida na capacidade de aceitar a vida com as suas imperfeições, em vez de lutar constantemente por uma ideia idealizada. Esta perspetiva alinha-se com correntes filosóficas que veem a paz interior como resultado da aceitação, não da conquista. No contexto educativo, esta reflexão convida os leitores a examinar criticamente os conceitos sociais de felicidade. Em vez de a entender como uma meta distante, Lispector apresenta-a como uma relação com a realidade – uma 'tolerância' que permite viver com as contradições e dores da existência sem se deixar dominar por elas. Esta visão é particularmente relevante numa sociedade que frequentemente associa felicidade a sucesso material ou realização pessoal, ignorando a dimensão mais introspetiva e resiliente do bem-estar.
Origem Histórica
Clarice Lispector (1920-1977) foi uma escritora brasileira de origem ucraniana, conhecida pela sua prosa introspetiva e existencialista. A sua obra, desenvolvida principalmente no século XX, reflete influências do modernismo e do existencialismo europeu, explorando temas como a identidade, a solidão e a condição humana. Esta citação exemplifica o seu estilo filosófico, comum em obras como 'A Paixão Segundo G.H.' ou 'A Hora da Estrela', onde questiona as verdades estabelecidas sobre a vida emocional.
Relevância Atual
Esta frase mantém-se relevante hoje devido à crescente pressão social para alcançar a felicidade, muitas vezes promovida pelas redes sociais e pela cultura do consumo. Num mundo onde a ansiedade e o burnout são comuns, a ideia de felicidade como 'tolerância' oferece uma alternativa mais sustentável – enfatizando a resiliência emocional e a aceitação em vez da busca incessante. Além disso, ressoa com movimentos contemporâneos de mindfulness e bem-estar psicológico, que valorizam a presença e a paz interior sobre a realização de objetivos externos.
Fonte Original: A citação é atribuída a Clarice Lispector, mas não está confirmada numa obra específica. É frequentemente citada em antologias e reflexões sobre a sua filosofia, podendo derivar de entrevistas, cartas ou textos menos conhecidos.
Citação Original: Tem sentido correr tanto atrás da felicidade, será que basta ser feliz? Será que ser feliz é um estado de tolerância?
Exemplos de Uso
- Na psicologia moderna, esta frase pode ilustrar a abordagem da terapia de aceitação e compromisso, que enfatiza a tolerância ao desconforto emocional.
- Em discussões sobre bem-estar no trabalho, a citação pode ser usada para criticar a cultura da produtividade excessiva em busca de felicidade.
- Em contextos educacionais, serve para debater com estudantes a diferença entre felicidade como emoção passageira e como estado duradouro de contentamento.
Variações e Sinônimos
- A felicidade não é algo a ser perseguido, mas a ser vivido.
- Contentamento é aceitar o que se tem, não correr atrás do que falta.
- A paz interior vem da tolerância com a vida.
- Ser feliz é saber tolerar as imperfeições da existência.
Curiosidades
Clarice Lispector começou a escrever esta citação numa época em que o Brasil passava por transformações sociais rápidas, o que pode ter influenciado a sua reflexão sobre valores humanos essenciais como a felicidade.


