Frases de Arthur Schopenhauer - O que nos torna felizes ou inf...

O que nos torna felizes ou infelizes não é o que as coisas são objectiva e realmente, mas o que são para nós, na nossa concepção.
Arthur Schopenhauer
Significado e Contexto
Esta citação, central no pensamento de Arthur Schopenhauer, defende que o nosso estado emocional – seja de felicidade ou infelicidade – não é determinado pela realidade objetiva das coisas, mas sim pela forma como as concebemos e interpretamos subjetivamente. O filósofo argumenta que a mente humana não é um mero espelho passivo do mundo, mas um filtro ativo que atribui significado e valor, frequentemente distorcendo a realidade 'em si' (conceito kantiano que influenciou Schopenhauer). Portanto, dois indivíduos perante a mesma situação objetiva podem experienciá-la de formas radicalmente diferentes, consoante as suas crenças, experiências passadas, expetativas e disposição psicológica. A felicidade torna-se, assim, menos uma condição externa a ser alcançada e mais um estado interno a ser cultivado através do domínio da nossa perceção.
Origem Histórica
Arthur Schopenhauer (1788-1860) foi um filósofo alemão do século XIX, conhecido pelo seu pessimismo metafísico. A sua obra principal, 'O Mundo como Vontade e Representação' (1818), desenvolve a ideia de que o mundo é, por um lado, 'representação' (fenómeno percecionado) e, por outro, 'vontade' (uma força cega e irracional que impulsiona tudo). Esta citação enquadra-se na sua análise da 'representação', enfatizando o papel ativo e subjetivo do sujeito na construção da experiência. Viveu numa época pós-Kantiana, onde a discussão sobre os limites do conhecimento e o papel da subjetividade era central.
Relevância Atual
A frase mantém uma relevância extraordinária hoje, ressoando fortemente em áreas como a psicologia cognitiva, a terapia cognitivo-comportamental e o movimento do desenvolvimento pessoal. Conceitos como 'reestruturação cognitiva' ou 'mindfulness' ecoam a ideia de que modificar a nossa perceção dos eventos pode alterar o nosso bem-estar emocional. Num mundo hiperconectado e frequentemente stressante, a noção de que temos algum controlo sobre como interpretamos as situações é um antídoto poderoso contra o sentimento de impotência. A frase desafia a cultura materialista, lembrando-nos que a felicidade duradoura raramente é encontrada em posses ou circunstâncias externas.
Fonte Original: A citação é frequentemente associada à sua obra principal, 'Die Welt als Wille und Vorstellung' ('O Mundo como Vontade e Representação'), embora possa aparecer noutros dos seus escritos e aforismos.
Citação Original: Was uns glücklich oder unglücklich macht, sind nicht die Dinge an sich, sondern das, was sie für uns, in unserer Vorstellung sind.
Exemplos de Uso
- Um emprego exigente pode ser visto como uma fonte de stresse insuportável ou como um desafio estimulante para o crescimento profissional, consoante a perceção do indivíduo.
- A chuva que estraga um piquenique é objetivamente água a cair. Para uns é uma deceção, para um agricultor pode ser uma bênção, e para uma criança pode ser uma oportunidade para saltar em poças.
- Receber uma crítica construtiva pode ser interpretado como um ataque pessoal (gerando infelicidade) ou como um feedback valioso para melhorar (gerando motivação).
Variações e Sinônimos
- A beleza está nos olhos de quem vê.
- Não é o que te acontece, mas como reages ao que te acontece que importa. (Epicteto)
- A realidade é criada pela mente. Podemos mudar a nossa realidade mudando a nossa mente.
- O mapa não é o território. (Alfred Korzybski)
- Cada cabeça, sua sentença.
Curiosidades
Schopenhauer era um grande admirador da filosofia budista e das Upanishads indianas, encontrando nelas paralelos com a sua ideia de que o sofrimento deriva do desejo e da perceção errada da realidade. Esta influência oriental é visível na ênfase dada à superação da perceção ilusória.


