Frases de Miguel Esteves Cardoso - Os verdadeiros democratas não

Frases de Miguel Esteves Cardoso - Os verdadeiros democratas não...


Frases de Miguel Esteves Cardoso


Os verdadeiros democratas não são aqueles histéricos que exigem isto e reivindicam aquilo, que dizem que precisamos de não sei quê e que vamos todos morrer estúpidos se não fizermos não sei que mais. São os que vivem e deixam viver. São os que respeitam as opiniões, as excentricidades e as manias dos outros, sem ceder à tentação de os desconvencer à força.

Miguel Esteves Cardoso

Esta citação convida-nos a refletir sobre a essência da democracia como um espaço de tolerância ativa, onde a liberdade do outro é tão sagrada quanto a nossa. É um apelo poético à moderação e ao respeito mútuo num mundo de extremos.

Significado e Contexto

A citação de Miguel Esteves Cardoso estabelece uma distinção crucial entre duas atitudes perante a democracia. Por um lado, critica uma visão histérica e impositiva, que tenta forçar mudanças através do alarmismo e da exigência agressiva. Por outro, define o 'verdadeiro democrata' como aquele que pratica o princípio 'viver e deixar viver'. Isto significa respeitar ativamente as diferenças – opiniões, excentricidades e manias – sem cair na tentação de tentar converter os outros à força. Não se trata de indiferença, mas de uma tolerância fundamentada que reconhece o direito do outro à sua singularidade, mesmo quando discordamos profundamente. É uma defesa da liberdade negativa (a liberdade de não ser interferido) como pilar da convivência democrática.

Origem Histórica

Miguel Esteves Cardoso (n. 1955) é um dos mais importantes cronistas e humoristas portugueses contemporâneos. A sua obra, marcada por uma ironia fina e uma observação sagaz dos costumes portugueses, desenvolveu-se sobretudo a partir do período pós-Revolução de 25 de Abril de 1974. Esta citação reflete um pensamento amadurecido no contexto da consolidação da democracia portuguesa, num período de debate sobre os limites da liberdade e a natureza da tolerância numa sociedade aberta. O seu estilo combina a tradição do ensaísmo crítico com uma linguagem acessível e mordaz.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância pungente na era das redes sociais e da polarização política. Num contexto onde os debates públicos são frequentemente marcados por extremos, cancelamentos culturais e tentativas de impor uma visão única do mundo, o apelo ao 'viver e deixar viver' surge como um antídoto necessário. Relembra-nos que uma democracia saudável depende mais da capacidade de coexistir com o dissenso do que de unanimidades forçadas. É um guia para uma cidadania mais serena e menos agressiva, essencial para a coesão social em sociedades cada vez mais diversificadas.

Fonte Original: A citação é provavelmente extraída de uma das suas crónicas ou ensaios, publicados em jornais como 'O Independente' ou 'Público', ou compilados em livros de crónicas. Não está identificada num livro específico único, sendo parte do seu corpus de reflexões dispersas.

Citação Original: Os verdadeiros democratas não são aqueles histéricos que exigem isto e reivindicam aquilo, que dizem que precisamos de não sei quê e que vamos todos morrer estúpidos se não fizermos não sei que mais. São os que vivem e deixam viver. São os que respeitam as opiniões, as excentricidades e as manias dos outros, sem ceder à tentação de os desconvencer à força.

Exemplos de Uso

  • Num debate político acalorado, um cidadão aplica este princípio ao ouvir atentamente um argumento oposto, discordando com educação sem tentar humilhar ou silenciar o interlocutor.
  • Nas redes sociais, em vez de atacar alguém por uma opinião diferente, um utilizador escolhe simplesmente não interagir ou expressar o seu próprio ponto de vista de forma civilizada, respeitando o espaço do outro.
  • Num contexto comunitário, um grupo defende a liberdade de expressão artística de uma obra controversa, mesmo não concordando com a sua mensagem, invocando o direito à diferença e à expressão individual.

Variações e Sinônimos

  • A minha liberdade termina onde começa a do outro.
  • Respeitar para ser respeitado.
  • A tolerância é a melhor religião.
  • Cada um sabe de si.
  • Em terra de cego, quem tem um olho é rei (contrastante, sobre a imposição).
  • A democracia é o governo da discussão (definição clássica que complementa).

Curiosidades

Miguel Esteves Cardoso é conhecido por ter popularizado a expressão 'Bairro Alto' como sinónimo de vida boémia e cultural em Lisboa, e por ser um grande defensor e tradutor para português da obra de J.D. Salinger, autor de 'À Espera no Centeio'.

Perguntas Frequentes

O que significa 'viver e deixar viver' na prática democrática?
Significa praticar uma tolerância ativa que garante a liberdade individual de todos. Implica defender o direito dos outros a terem opiniões, estilos de vida e crenças diferentes das nossas, desde que não causem dano direto a terceiros, abstendo-se de tentar coagir ou converter os outros pela força ou pela humilhação.
Esta citação defende a indiferença perante as injustiças?
Não. A citação critica o histerismo e a imposição forçada, não a ação cívica ou a defesa de causas. 'Viver e deixar viver' refere-se ao respeito pela esfera privada e pelas convicções pessoais. Combater injustiças sociais pode e deve ser feito através do diálogo, da persuasão racional e das instituições democráticas, não através da tentativa de 'desconvencer à força' indivíduos.
Por que é Miguel Esteves Cardoso uma voz relevante sobre democracia?
Como cronista agudo da sociedade portuguesa pós-25 de Abril, Cardoso observou de perto os desafios da construção democrática. O seu humor e ironia servem-lhe de ferramenta para criticar os excessos e as modas do pensamento, defendendo frequentemente o senso comum, a liberdade individual e uma visão desdramatizada da vida em sociedade, o que o torna num comentador singular sobre os fundamentos da convivência democrática.
Como aplicar este conceito no dia a dia das redes sociais?
Podemos aplicá-lo evitando campanhas de ódio ou de cancelamento, discordando com argumentos em vez de ataques pessoais, não partilhando desinformação para prejudicar quem pensa diferente, e aceitando que podemos simplesmente 'deixar viver' ao não interagir com conteúdos que não nos agradam, em vez de lançar uma cruzada virtual contra eles.

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