Frases de Ramalho Eanes - A democracia representativa es...

A democracia representativa está em crise, porque ela é só e pouco representativa. É muito fechada às elites que se cooptam e se reproduzem, não se abre convenientemente à sociedade civil e aos cidadãos, que devem ser obrigados a participar na decisão sobre as grandes questões.
Ramalho Eanes
Significado e Contexto
Esta citação de Ramalho Eanes critica a democracia representativa por se ter tornado um sistema fechado, onde as elites políticas se perpetuam no poder através de mecanismos de cooptação, limitando a renovação e a diversidade de representação. Eanes argumenta que a crise surge precisamente porque o sistema não é suficientemente representativo da sociedade no seu todo, excluindo vozes da sociedade civil e dos cidadãos comuns. A solução proposta é radical: obrigar a participação ativa dos cidadãos nas decisões sobre questões fundamentais, transformando a democracia de um modelo passivo de delegação para um modelo ativo de envolvimento direto. Isto reflete uma visão de que a legitimidade democrática depende não apenas de eleições periódicas, mas de uma inclusão contínua e substantiva da população no processo decisório.
Origem Histórica
Ramalho Eanes foi o primeiro Presidente da República eleito democraticamente após a Revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal, servindo de 1976 a 1986. A sua presidência coincidiu com a consolidação da democracia portuguesa, um período marcado por instabilidade política e desafios na construção de instituições representativas. Esta citação provavelmente reflete as suas preocupações com os limites do sistema político que ajudou a estabelecer, especialmente a tensão entre a representação formal e a participação real dos cidadãos. Eanes, como militar e estadista, testemunhou em primeira mão as dificuldades de transição de uma ditadura para uma democracia plena, o que pode ter influenciado a sua visão crítica sobre a evolução do sistema representativo.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância acentuada hoje, face ao crescente desencanto com a política tradicional, o aumento do populismo e a desconfiança nas instituições democráticas em muitos países. Fenómenos como a abstenção eleitoral, a percepção de que os políticos formam uma 'classe' distante dos cidadãos e a exigência por mecanismos de democracia participativa (como orçamentos participativos ou referendos) ecoam diretamente as críticas de Eanes. A crise de representatividade é amplificada pelas redes sociais, que expõem as falhas do sistema e mobilizam a sociedade civil, tornando premente a discussão sobre como 'obrigar' ou incentivar uma participação mais direta e informada.
Fonte Original: A citação é atribuída a Ramalho Eanes em diversos discursos e intervenções públicas durante e após a sua presidência, refletindo a sua visão política madura. Não está associada a um livro ou obra específica, mas integra-se no seu pensamento sobre a evolução da democracia portuguesa.
Citação Original: A democracia representativa está em crise, porque ela é só e pouco representativa. É muito fechada às elites que se cooptam e se reproduzem, não se abre convenientemente à sociedade civil e aos cidadãos, que devem ser obrigados a participar na decisão sobre as grandes questões.
Exemplos de Uso
- Em debates sobre reforma política, esta citação é usada para defender a introdução de assembleias de cidadãos sorteados para discutir temas como as alterações climáticas.
- Analistas citam Eanes ao criticar a 'bolha' política em Bruxelas ou Washington, onde decisões são tomadas por grupos restritos, distanciando-se das necessidades da população.
- Movimentos sociais, como os protestos anti-austeridade, invocam esta ideia para justificar a necessidade de maior participação direta nas decisões económicas, além das eleições tradicionais.
Variações e Sinônimos
- A democracia não pode ser um clube fechado.
- O poder deve ser exercido com o povo, não apenas para o povo.
- A representação sem participação é uma farsa democrática.
- As elites políticas vivem numa redoma, alheias aos cidadãos.
Curiosidades
Ramalho Eanes foi um dos poucos presidentes portugueses sem filiação partidária durante o mandato, o que pode ter reforçado a sua visão crítica sobre a cooptação partidária nas elites políticas. Após a presidência, manteve-se uma voz respeitada, mas discreta, na vida pública portuguesa.