Frases de Mário Soares - A democracia está efectivamen...

A democracia está efectivamente em crise, por múltiplas razões. Entre elas, porque os Estados nacionais estão a ser corroídos nos seus poderes tradicionais pela globalização económica e suas consequências.
Mário Soares
Significado e Contexto
Mário Soares identifica uma crise multifacetada da democracia, destacando especificamente como a globalização económica mina os poderes tradicionais dos Estados nacionais. Esta erosão ocorre porque as decisões económicas e políticas cada vez mais transcendem fronteiras nacionais, transferindo influência para atores transnacionais como corporações multinacionais, mercados financeiros globais e organizações internacionais, limitando assim a capacidade dos governos eleitos para implementar políticas soberanas que reflitam a vontade dos seus cidadãos. A citação sugere que a democracia, que tradicionalmente opera dentro do quadro do Estado-nação, enfrenta um paradoxo: enquanto os cidadãos votam em governos nacionais, o poder real para moldar condições económicas e sociais pode estar a deslocar-se para esferas onde a responsabilidade democrática é fraca ou inexistente. Isto cria um défice democrático, onde as instituições políticas perdem legitimidade e eficácia perante forças globais que não respondem diretamente ao eleitorado.
Origem Histórica
Mário Soares (1924-2017) foi uma figura central na história portuguesa do século XX, como primeiro-ministro e presidente da República, e um defensor ativo da democracia e dos direitos humanos. A citação provavelmente reflete as suas preocupações nas décadas finais da sua vida, num período pós-Guerra Fria marcado pela aceleração da globalização económica, pela integração europeia (como a criação do euro) e pelo debate sobre a soberania nacional versus governança global. Soares testemunhou a transição de Portugal de uma ditadura para uma democracia e observou os novos desafios que esta enfrentava num mundo interligado.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância aguda hoje, pois os debates sobre soberania nacional, populismo, desigualdade económica e o papel das instituições supranacionais (como a União Europeia ou a OMC) continuam a dominar o discurso político. Fenómenos como a ascensão de movimentos anti-globalização, a crise financeira de 2008, as pandemias globais e as discussões sobre taxação de gigantes tecnológicos ilustram a tensão entre Estados nacionais e forças económicas globais. A crise de legitimidade democrática e o afastamento dos cidadãos das instituições políticas são temas centrais nas sociedades contemporâneas.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Mário Soares em discursos ou intervenções públicas sobre democracia e globalização, provavelmente dos anos 1990 ou 2000. Pode derivar de entrevistas, artigos de opinião ou livros como 'Portugal: Que Futuro?' (1999) ou outras reflexões políticas suas, embora não haja uma fonte única amplamente documentada.
Citação Original: A democracia está efectivamente em crise, por múltiplas razões. Entre elas, porque os Estados nacionais estão a ser corroídos nos seus poderes tradicionais pela globalização económica e suas consequências.
Exemplos de Uso
- Num debate sobre a União Europeia, um político pode citar Soares para argumentar que a transferência de poderes para Bruxelas enfraquece a democracia nacional.
- Um académico analisa a crise de representatividade, usando a citação para explicar como as corporações globais influenciam políticas além do controlo eleitoral.
- Num artigo sobre justiça fiscal, um jornalista refere a frase para destacar a dificuldade dos Estados em taxar multinacionais devido à mobilidade do capital global.
Variações e Sinônimos
- A globalização esvazia a soberania dos Estados.
- Os poderes nacionais desvanecem-se face às forças económicas globais.
- A democracia enfraquece quando as decisões fogem ao controlo popular.
- A erosão do Estado-nação ameaça os alicerces democráticos.
Curiosidades
Mário Soares foi um dos fundadores do Partido Socialista Português e desempenhou um papel crucial na transição para a democracia após a Revolução dos Cravos de 1974, sendo conhecido como 'o pai da democracia portuguesa'. A sua longa carreira permitiu-lhe observar a evolução da democracia desde a sua instauração até aos desafios da pós-modernidade.