O importante não é aquilo que fazem de...

O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós!
Significado e Contexto
Esta citação explora a dinâmica entre influência externa e agência interna. O primeiro segmento - 'aquilo que fazem de nós' - reconhece que as experiências, relações e contextos sociais moldam-nos de forma inevitável. Contudo, o núcleo da mensagem reside na segunda parte: 'o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós'. Aqui, afirma-se que a verdadeira liberdade humana não está na imunidade às influências externas, mas na capacidade de reinterpretar, resignificar e transformar essas experiências através da consciência reflexiva. Filosoficamente, esta ideia ecoa conceitos do existencialismo, que enfatizam a responsabilidade individual perante as circunstâncias da existência. Sugere que, embora não controlemos todos os eventos que nos acontecem, detemos o poder soberano de decidir que significado lhes atribuímos e como os integramos na nossa narrativa pessoal. Esta perspetiva transforma potenciais vítimas da sorte ou do destino em autores ativos da própria identidade.
Origem Histórica
A citação é frequentemente atribuída a Jean-Paul Sartre (1905-1980), filósofo francês e figura central do existencialismo. Embora não seja uma citação textual verificada nas suas obras principais, encapsula perfeitamente temas sartrianos como a liberdade radical, a má-fé (mauvaise foi) e a ideia de que 'o homem está condenado a ser livre'. Sartre argumentava que somos essencialmente o que fazemos com o que fizeram de nós, rejeitando determinismos e enfatizando a responsabilidade perante as próprias escolhas.
Relevância Atual
Num mundo marcado por discursos de vitimização, trauma coletivo e determinismos sociais ou biológicos, esta frase oferece um contraponto empoderador. É relevante em contextos terapêuticos (como a psicologia positiva e abordagens pós-traumáticas), na educação para a resiliência e no desenvolvimento pessoal. Lembra-nos que, mesmo perante adversidades sistémicas ou históricas, a agência humana mantém um espaço de liberdade criativa para reinterpretar e transcender condicionamentos.
Fonte Original: Atribuída conceptualmente a Jean-Paul Sartre, possivelmente uma paráfrase ou síntese popular das suas ideias, não sendo localizável como citação literal numa obra específica.
Citação Original: Não se aplica - a citação já está em português.
Exemplos de Uso
- Na terapia: 'Apesar do abandono que sentiu na infância, o que faz hoje com essa experiência define a sua relação atual.'
- No coaching: 'Não foque no que a crítica fez de si, mas no que decide construir com esse feedback.'
- No ativismo social: 'A história oprimiu-nos, mas a forma como reelaboramos essa memória colectiva é a nossa libertação.'
Variações e Sinônimos
- 'Não importa o que fizeram de ti, importa o que fazes com isso.'
- 'Somos os arquitetos do significado das nossas feridas.'
- 'A liberdade está na resposta que damos ao que nos aconteceu.'
- Provérbio: 'Deitar abaixo é fácil, difícil é construir.'
Curiosidades
Embora associada a Sartre, esta formulação específica tornou-se viral em redes sociais e livros de autoajuda, demonstrando como ideias filosóficas complexas se transformam em mantras culturais acessíveis.