Frases de François de La Rochefoucauld - Ser feliz é uma questão de g...

Ser feliz é uma questão de gosto e não uma questão de posse. É-se feliz quando se tem aquilo de que se gosta e não por se possuir o que os outros acham essencial.
François de La Rochefoucauld
Significado e Contexto
A citação de François de La Rochefoucauld propõe uma distinção crucial entre felicidade baseada em gosto pessoal e felicidade baseada em posse ou aprovação social. No primeiro caso, a felicidade emerge da congruência entre os nossos desejos autênticos e a nossa realidade, sendo uma experiência subjetiva e interna. No segundo, a felicidade torna-se dependente de fatores externos, como bens materiais ou a opinião alheia, o que a torna frágil e efémera. Esta perspetiva convida a uma autoanálise profunda para identificar o que realmente nos traz contentamento, libertando-nos da tirania das expectativas sociais. La Rochefoucauld, com o seu estilo aforístico e penetrante, sugere que a busca da felicidade é, em grande medida, uma questão de autenticidade. Quando procuramos ter 'aquilo de que se gosta', alinhamos a nossa vida com as nossas paixões e valores íntimos. Em contraste, ao perseguir 'o que os outros acham essencial', incorremos no risco de viver uma vida emprestada, onde a satisfação é sempre mediada e comparativa. Esta ideia antecipa conceitos modernos de psicologia positiva e bem-estar, que destacam a importância da autonomia e do significado pessoal para uma vida plena.
Origem Histórica
François de La Rochefoucauld (1613-1680) foi um escritor e moralista francês do século XVII, pertencente à alta nobreza. A sua obra mais famosa, 'Máximas' (publicada pela primeira vez em 1665), é uma coleção de aforismos curtos e perspicazes que analisam o comportamento humano, frequentemente com um tom cínico ou desiludido. Vivendo numa época de grandes convulsões políticas (como a Fronda) e de refinamento cultural na corte de Luís XIV, La Rochefoucauld observou de perto as intrigas, vaidades e hipocrisias da aristocracia. As suas máximas refletem essa experiência, desconstruindo motivações como o amor-próprio (amour-propre) e questionando as aparências de virtude.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância extraordinária no mundo contemporâneo, marcado pelo consumismo, pelas redes sociais e pela constante comparação social. Num contexto onde o sucesso é frequentemente medido por posses materiais, estatuto ou 'likes', a citação serve como um antídoto poderoso. Ela incentiva os indivíduos a resistirem à pressão social e a definirem a felicidade nos seus próprios termos, promovendo a saúde mental e o bem-estar autêntico. É um lembrete atemporal para priorizar experiências e valores pessoais sobre aquisições e aprovação externa.
Fonte Original: A citação é retirada da obra 'Máximas' (em francês: 'Réflexions ou sentences et maximes morales'), uma coleção de aforismos morais publicada por François de La Rochefoucauld.
Citação Original: "Le bonheur est dans le goût et non dans les choses ; et c’est pour avoir ce que l’on aime qu’on est heureux, et non pour avoir ce que les autres trouvent aimable."
Exemplos de Uso
- Um indivíduo que escolhe uma carreira modesta mas gratificante, em vez de uma profissão prestigiada mas stressante, vive a felicidade como 'gosto pessoal'.
- Optar por uma vida simples no campo, valorizando a natureza e a tranquilidade, em contraste com a busca incessante por bens de luxo na cidade.
- A satisfação de dedicar tempo a um hobby criativo, como pintar ou tocar um instrumento, simplesmente pelo prazer que proporciona, sem preocupação com reconhecimento público.
Variações e Sinônimos
- A felicidade não está em ter muito, mas em precisar de pouco.
- Não é mais rico quem tem mais, mas quem precisa de menos.
- Conhece-te a ti mesmo (aforismo socrático, relacionado com a auto-descoberta de desejos autênticos).
- A comparação é a ladra da alegria.
Curiosidades
La Rochefoucauld escreveu e reescreveu as suas 'Máximas' ao longo de anos, refinando-as em sucessivas edições. A sua obra era discutida nos salões literários de Paris e influenciou profundamente outros pensadores, como Nietzsche.


