Frases de Clarice Lispector - Estou com saudade de mim. Ando...

Estou com saudade de mim. Ando pouco recolhida, atendo demais ao telefone, escrevo depressa, vivo depressa. Onde está eu? Preciso fazer um retiro espiritual e encontrar-me enfim enfim, mas que medo de mim mesma.
Clarice Lispector
Significado e Contexto
Esta citação captura a essência de uma crise existencial contemporânea, onde a autora sente que perdeu contacto consigo mesma devido ao ritmo acelerado da vida. A expressão 'saudade de mim' é particularmente poderosa, sugerindo que o seu verdadeiro eu tornou-se uma memória distante, algo a que anseia retornar. O medo mencionado no final revela o paradoxo humano: desejar o autoencontro, mas temer o que poderá descobrir no processo de introspeção. Lispector descreve sintomas concretos da alienação moderna: falta de recolhimento ('ando pouco recolhida'), distrações tecnológicas ('atendo demais ao telefone'), produção apressada ('escrevo depressa') e vida acelerada ('vivo depressa'). A solução proposta - um 'retiro espiritual' - não é apenas religiosa, mas uma metáfora para qualquer processo de desaceleração e reencontro consigo mesmo, que simultaneamente atrai e assusta.
Origem Histórica
Clarice Lispector (1920-1977) escreveu durante um período de transformação social no Brasil, marcado pela urbanização acelerada e mudanças nos papéis sociais, especialmente para as mulheres. A citação reflete preocupações existenciais comuns na literatura modernista e pós-moderna, onde autores exploravam a fragmentação do sujeito na sociedade contemporânea. Embora a data exata desta citação seja difícil de precisar sem fonte específica, ela ecoa temas centrais da sua obra madura.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância extraordinária na era digital, onde a hiperconectividade e o multitasking exacerbam a sensação de perda de si. A 'saudade de mim' ressoa com gerações que experimentam burnout, ansiedade existencial e a dificuldade de encontrar momentos de autenticidade num mundo de performance constante. O medo do autoencontro reflecte a nossa relutância contemporânea em enfrentar questões profundas de identidade e propósito.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Clarice Lispector em antologias e colectâneas de suas reflexões, embora a obra específica de origem não seja sempre identificada. Pode derivar de seus escritos íntimos, crónicas ou correspondência.
Citação Original: Estou com saudade de mim. Ando pouco recolhida, atendo demais ao telefone, escrevo depressa, vivo depressa. Onde está eu? Preciso fazer um retiro espiritual e encontrar-me enfim enfim, mas que medo de mim mesma.
Exemplos de Uso
- Num contexto terapêutico: 'Esta paciente expressou uma verdadeira saudade de si mesma, após anos dedicados exclusivamente à carreira.'
- Em reflexão pessoal: 'Após o lockdown, muitos sentiram necessidade de se reencontrarem, ecoando o "medo de mim mesma" de Lispector.'
- Na crítica cultural: 'As redes sociais exacerbam a sensação de "viver depressa" que Lispector descreve, dificultando o recolhimento.'
Variações e Sinônimos
- Perdi-me de vista
- Preciso reencontrar-me
- Onde fui parar?
- Sinto falta da pessoa que era
- Viver no piloto automático
Curiosidades
Clarice Lispector era de origem judaica ucraniana, tendo chegado ao Brasil ainda bebé. Esta experiência de desenraizamento cultural pode ter influenciado sua sensibilidade aguda para questões de identidade e pertença.