Frases de José Luís Peixoto - Ao longo de uma vida, todas as...

Ao longo de uma vida, todas as pessoas tomam decisões erradas. Algumas dessas decisões magoam outros, causam-lhes sofrimento verdadeiro. No entanto, a grande maioria desses erros não são citados pelo código penal. Na verdade, só estão citados aqueles que são concebíveis pelos espíritos práticos: os que são quantificáveis, claramente observáveis, indiscutivelmente concretos. Só é pena que a vida não seja assim: indiscutivelmente concreta.
José Luís Peixoto
Significado e Contexto
A citação de José Luís Peixoto estabelece uma distinção crucial entre a dimensão moral e a dimensão legal dos erros humanos. O autor sugere que a maioria dos erros que cometemos – aqueles que magoam os outros emocional ou psicologicamente – não são contemplados pelo código penal, que se foca apenas em ações quantificáveis e objetivamente observáveis. Esta reflexão aponta para uma lacuna profunda: a justiça formal é incapaz de abarcar a complexidade e a subtileza do sofrimento humano, que muitas vezes reside no intangível e no relacional. A frase final, 'Só é pena que a vida não seja assim: indiscutivelmente concreta', funciona como um lamento poético. Ela reconhece que a vida é feita de nuances, ambiguidades e danos que não se deixam medir facilmente, contrastando com o desejo humano (ou legal) de clareza e certeza absolutas.
Origem Histórica
José Luís Peixoto (n. 1974) é um dos escritores portugueses contemporâneos mais premiados e traduzidos. A sua obra, frequentemente situada no contexto rural alentejano, explora temas universais como a morte, a família, a memória e as falhas humanas. Esta citação reflete a sua sensibilidade para a complexidade da condição humana e o seu interesse pela fronteira entre o que é socialmente regulado e o que permanece no domínio privado ou íntimo. Embora a origem exata da citação não seja especificada no pedido, o seu tom filosófico e literário é característico do estilo de Peixoto.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância acentuada na sociedade contemporânea, onde a discussão sobre justiça, responsabilidade e reparação moral vai muito além do sistema legal. Num mundo cada vez mais focado em métricas e resultados tangíveis (como nas redes sociais ou no desempenho profissional), a citação lembra-nos da importância do sofrimento 'invisível' – o bullying emocional, a negligência afetiva, as microagressões ou os danos psicológicos que não constituem crime, mas que marcam profundamente as pessoas. Alimenta debates atuais sobre justiça restaurativa, saúde mental e a necessidade de uma ética relacional que complemente a lei.
Fonte Original: A citação é atribuída a José Luís Peixoto, mas a obra específica de onde foi retirada não foi fornecida no contexto. É comum encontrá-la em antologias de citações ou em análises da sua obra.
Citação Original: Ao longo de uma vida, todas as pessoas tomam decisões erradas. Algumas dessas decisões magoam outros, causam-lhes sofrimento verdadeiro. No entanto, a grande maioria desses erros não são citados pelo código penal. Na verdade, só estão citados aqueles que são concebíveis pelos espíritos práticos: os que são quantificáveis, claramente observáveis, indiscutivelmente concretos. Só é pena que a vida não seja assim: indiscutivelmente concreta.
Exemplos de Uso
- Num debate sobre bullying no local de trabalho, para destacar que o assédio moral, embora devastador, é muitas vezes difícil de legislar e provar em tribunal.
- Numa reflexão sobre relações familiares, para explicar como mágoas do passado, não sendo 'crimes', podem causar feridas duradouras.
- Num artigo sobre ética empresarial, para argumentar que a responsabilidade social vai além do cumprimento legal, abrangendo o impacto humano das decisões.
Variações e Sinônimos
- "A lei é cega para o sofrimento da alma."
- "Nem tudo o que é errado é ilegal."
- "As feridas mais profundas são as que não se veem."
- "A justiça humana é limitada; a consciência, infinita."
Curiosidades
José Luís Peixoto foi o autor mais jovem a receber o Prémio José Saramago, em 2001, com o romance "Nenhum Olhar". A sua escrita é conhecida por uma prosa poética que explora o universal através do local, muitas vezes inspirada na sua terra natal, Galveias, no Alentejo.