Frases de Clarice Lispector - Sofremos por ter tão pouca fo...

Sofremos por ter tão pouca fome, embora a nossa pequena fome já dê para sentirmos uma profunda falta do prazer que teríamos se fôssemos de fome maior.
Clarice Lispector
Significado e Contexto
A citação de Clarice Lispector aborda a natureza paradoxal do desejo humano. A 'pequena fome' representa os nossos anseios e necessidades quotidianas, que, embora satisfeitos em certa medida, nos deixam conscientes de uma 'fome maior' – uma aspiração profunda por algo mais significativo, completo ou transcendente. Este sentimento não é sobre carência material, mas sobre uma falta existencial: a perceção de que mesmo quando temos o suficiente, intuímos que poderia haver uma experiência mais rica, um prazer mais intenso ou uma realização mais plena que permanece inatingível. Lispector sugere que o sofrimento surge não da privação absoluta, mas desta consciência aguda do potencial não realizado, tornando a nossa satisfação relativa uma fonte de nostalgia pelo absoluto.
Origem Histórica
Clarice Lispector (1920-1977) foi uma escritora brasileira de origem ucraniana, figura central do modernismo literário no Brasil. A sua obra, desenvolvida principalmente nas décadas de 1940 a 1970, é marcada por um estilo introspetivo e filosófico, explorando temas como a identidade, a existência e os dilemas interiores. Esta citação reflete o seu interesse pelo existencialismo e pela psicologia humana, influenciada por correntes filosóficas do século XX e pelo contexto pós-guerra, onde questões sobre o sentido da vida ganharam relevância. Embora a origem exata da frase não seja especificada, ela alinha-se com o tom das suas obras como 'A Paixão Segundo G.H.' ou 'A Hora da Estrela', onde personagens confrontam vacuidades e desejos profundos.
Relevância Atual
Esta frase mantém relevância hoje porque captura a insatisfação crónica da sociedade contemporânea, onde o acesso a bens e experiências é abundante, mas muitas pessoas sentem um vazio ou uma 'fome' por significado mais profundo. Num mundo de consumo excessivo e redes sociais que prometem felicidade, a reflexão de Lispector alerta para o perigo de nos contentarmos com desejos superficiais, ignorando anseios existenciais mais autênticos. É um convite à introspeção e à busca por plenitude além do material, ressoando com debates atuais sobre bem-estar mental, mindfulness e a crítica ao capitalismo.
Fonte Original: A origem exata desta citação não é amplamente documentada em uma obra específica, mas é atribuída a Clarice Lispector e circula em antologias e coleções das suas reflexões. Pode derivar de escritos pessoais, crónicas ou correspondência, comuns na sua produção literária fragmentária.
Citação Original: Sofremos por ter tão pouca fome, embora a nossa pequena fome já dê para sentirmos uma profunda falta do prazer que teríamos se fôssemos de fome maior.
Exemplos de Uso
- Na terapia, um paciente pode usar esta frase para descrever a sensação de que, apesar de ter sucesso profissional, sente falta de um propósito mais profundo na vida.
- Em discussões sobre consumo sustentável, a citação ilustra como a busca por mais bens materiais mascara um desejo maior por conexão humana ou realização pessoal.
- Num contexto artístico, um criador pode referi-la para explicar a insatisfação constante que impulsiona a inovação, mesmo após alcançar reconhecimento.
Variações e Sinônimos
- "A ânsia do infinito no finito", "O desejo que nunca se sacia", "A nostalgia do que nunca vivemos", "A fome de alma em um mundo cheio", Ditado popular: "Quem tem pouco quer mais, quem tem muito quer tudo".
Curiosidades
Clarice Lispector começou a escrever esta citação e outras reflexões semelhantes em cadernos pessoais, muitos dos quais foram publicados postumamente, revelando o seu processo criativo introspetivo e a sua fascinação pelo inconsciente humano.


