Frases de José Saramago - Nem a arte nem a literatura t�

Frases de José Saramago - Nem a arte nem a literatura t�...


Frases de José Saramago


Nem a arte nem a literatura têm de nos dar lições de moral. Somos nós que temos de nos salvar, e isso só é possível com uma postura de cidadania ética, ainda que isto possa soar antigo e anacrónico.

José Saramago

Saramago desafia-nos a não esperar que a arte nos salve moralmente, lembrando que a responsabilidade ética é pessoal e cívica. Esta visão coloca o foco na ação humana, não na contemplação passiva.

Significado e Contexto

A citação de José Saramago propõe uma distinção fundamental entre a função da arte/literatura e a responsabilidade moral individual. O autor argumenta que não devemos esperar que as obras artísticas nos forneçam diretrizes éticas ou soluções morais prontas - essa é uma expectativa inadequada sobre o papel da criação artística. Pelo contrário, Saramago enfatiza que a salvação moral (entendida como desenvolvimento ético e ação correta) depende exclusivamente de cada indivíduo, através do exercício consciente de uma cidadania ética. Esta postura, que o autor reconhece poder parecer 'antiga e anacrónica', representa na verdade um compromisso ativo com valores que transcendem modismos e conveniências momentâneas. A profundidade desta afirmação reside na sua dupla dimensão: por um lado, defende a autonomia da arte (que não deve ser instrumentalizada para fins moralizantes); por outro, exige uma maturidade ética do cidadão, que deve agir com base em princípios conscientemente adotados, não em influências externas. Saramago sugere assim que a verdadeira ética nasce de uma decisão pessoal refletida, não da imitação de modelos apresentados na ficção ou nas artes. Esta visão coloca o ser humano no centro do seu próprio desenvolvimento moral, responsabilizando-o diretamente pelas suas escolhas e ações na esfera pública e privada.

Origem Histórica

José Saramago (1922-2010), Prémio Nobel de Literatura de 1998, desenvolveu ao longo da sua obra uma profunda reflexão sobre ética, poder e responsabilidade humana. Esta citação reflete o seu pensamento maduro, formado no contexto do Portugal pós-revolução (pós-25 de Abril de 1974) e da sua experiência como cidadão profundamente comprometido com questões sociais. Saramago sempre manteve uma postura crítica perante instituições e convenções, defendendo a necessidade de um exercício ativo da cidadania. O seu ceticismo em relação a soluções fáceis e a sua insistência na responsabilidade individual são marcas do seu pensamento, desenvolvido numa época de rápidas transformações sociais e políticas.

Relevância Atual

Esta frase mantém uma relevância extraordinária no século XXI, marcado pela sobrecarga de informação, polarização social e frequentemente por uma atitude passiva perante problemas éticos complexos. Num mundo onde muitas pessoas esperam que instituições, líderes ou mesmo entretenimento lhes digam 'o que pensar', a mensagem de Saramago lembra-nos que a ética exige esforço pessoal e coragem cívica. A referência à cidadania ética como algo que 'pode soar antigo e anacrónico' antecipou precisamente a desvalorização contemporânea de certos valores fundamentais, tornando a sua defesa ainda mais urgente hoje. Num contexto de crises ambientais, desigualdades e desafios democráticos, a chamada à ação ética individual ressoa com particular força.

Fonte Original: Esta citação é frequentemente atribuída a intervenções públicas, entrevistas ou ensaios de José Saramago, sendo uma síntese do seu pensamento sobre ética e literatura. Não está identificada com uma obra específica, mas reflete consistentemente as ideias expressas em seus romances como 'Ensaio sobre a Cegueira' e 'Ensaio sobre a Lucidez', bem como em seus diários e artigos.

Citação Original: Nem a arte nem a literatura têm de nos dar lições de moral. Somos nós que temos de nos salvar, e isso só é possível com uma postura de cidadania ética, ainda que isto possa soar antigo e anacrónico.

Exemplos de Uso

  • Num debate sobre responsabilidade ambiental, um ativista cita Saramago para argumentar que não basta consumir arte 'verde' - é preciso ação pessoal consistente.
  • Um professor de ética utiliza esta frase para introduzir uma discussão sobre autonomia moral versus influência cultural nos estudantes universitários.
  • Num editorial sobre corrupção política, o jornalista recorre a Saramago para enfatizar que a solução começa na postura ética de cada cidadão, não apenas em reformas institucionais.

Variações e Sinônimos

  • A arte não salva, salva-se quem age com ética
  • A responsabilidade moral é pessoal, não artística
  • Cidadania ativa versus contemplação passiva
  • Ética como escolha, não como imitação

Curiosidades

José Saramago foi o primeiro e único escritor de língua portuguesa a receber o Prémio Nobel de Literatura, distinção que recebeu em 1998. Apesar do reconhecimento internacional, manteve sempre uma postura crítica e desassombrada, nunca evitando polémicas quando defendia os seus princípios éticos e políticos.

Perguntas Frequentes

Saramago está a dizer que a arte não tem valor ético?
Não. Saramago defende que a arte não tem a obrigação de dar 'lições de moral' diretas, mas pode suscitar reflexão ética. A responsabilidade de agir moralmente, porém, é sempre do indivíduo.
Por que Saramago diz que a cidadania ética 'pode soar antiga e anacrónica'?
Porque reconhece que, numa sociedade muitas vezes focada no individualismo e no pragmatismo, a defesa de valores éticos consistentes pode ser vista como desatualizada. Saramago desafia precisamente essa perceção.
Como aplicar esta ideia na educação?
Promovendo não apenas o conhecimento de obras artísticas, mas também o desenvolvimento do pensamento crítico e da responsabilidade ética nos estudantes, preparando-os para uma cidadania ativa.
Esta visão contradiz a ideia de que a arte transforma a sociedade?
Não contradiz, mas complementa. Saramago sugere que a arte pode inspirar transformação, mas a mudança real depende da ação ética das pessoas, não apenas da contemplação artística.

Podem-te interessar também




Mais vistos