Frases de Clarice Lispector - Eu sei criar silêncio. É ass...

Eu sei criar silêncio. É assim: ligo o rádio bem alto então de súbito desligo. E assim capto o silêncio. Silêncio estelar. O silêncio da lua muda. Pára tudo: criei o silêncio. (...) O silêncio não é o vazio, é a plenitude.
Clarice Lispector
Significado e Contexto
Esta citação de Clarice Lispector apresenta uma abordagem paradoxal ao silêncio, não como ausência de som, mas como entidade que pode ser criada e capturada através de um contraste abrupto. A autora descreve um processo ativo: ligar o rádio bem alto e depois desligá-lo subitamente, criando assim uma pausa que revela o 'silêncio estelar' e o 'silêncio da lua muda'. Esta metodologia sugere que o verdadeiro silêncio só se torna perceptível através da sua oposição ao ruído, transformando-o de conceito abstrato em experiência sensível. A afirmação final - 'O silêncio não é o vazio, é a plenitude' - constitui o cerne filosófico da citação. Lispector subverte a noção comum de silêncio como falta ou ausência, propondo-o como estado de completude e riqueza existencial. Esta visão alinha-se com tradições contemplativas e místicas que veem a quietude não como privação, mas como espaço de conexão com dimensões mais profundas da realidade, onde a percepção se expande para além do sensorial imediato.
Origem Histórica
Clarice Lispector (1920-1977) foi uma escritora brasileira de origem ucraniana, considerada uma das vozes mais importantes da literatura brasileira do século XX. A citação reflete sua característica exploração da interioridade humana e dos estados de consciência, temas centrais no movimento modernista brasileiro e na literatura existencialista que influenciou sua obra. Embora a origem exata desta citação não seja especificada, ela encapsula a sensibilidade lírica e filosófica presente em obras como 'A Paixão Segundo G.H.' (1964) e 'Água Viva' (1973), onde Lispector investiga a natureza da existência através de monólogos interiores e percepções sensoriais amplificadas.
Relevância Atual
Num mundo contemporâneo caracterizado por sobrecarga informativa, estímulos constantes e ruído digital, esta reflexão sobre o silêncio ganha relevância renovada. A ideia de criar silêncio ativamente responde à necessidade moderna de desconexão e contemplação, oferecendo uma metodologia prática para alcançar estados de presença mindfulness. Além disso, a redefinição do silêncio como plenitude oferece um antídoto filosófico à cultura do produtivismo e preenchimento constante, validando a quietude como espaço de criatividade, insight e bem-estar psicológico.
Fonte Original: Embora a citação seja frequentemente atribuída a Clarice Lispector em antologias e coletâneas de pensamentos, sua origem exata dentro da obra da autora não é universalmente documentada. Pode derivar de suas crônicas, entrevistas ou textos menos conhecidos, refletindo temas centrais de sua produção literária.
Citação Original: Eu sei criar silêncio. É assim: ligo o rádio bem alto então de súbito desligo. E assim capto o silêncio. Silêncio estelar. O silêncio da lua muda. Pára tudo: criei o silêncio. (...) O silêncio não é o vazio, é a plenitude.
Exemplos de Uso
- Na prática de meditação, criar contraste entre ruído e quietude pode amplificar a consciência do momento presente.
- Em terapia ocupacional, exercícios de escuta ativa que alternam som e silêncio ajudam a desenvolver atenção plena.
- Artistas visuais frequentemente utilizam espaços vazios não como ausência, mas como elementos de plenitude composicional.
Variações e Sinônimos
- O silêncio é eloquente
- A quietude que preenche
- No vazio reside a completude
- O som do silêncio
- Calma que transborda
Curiosidades
Clarice Lispector tinha fascínio por estados alterados de consciência e percepção, frequentemente explorando em sua obra os limites entre realidade interior e exterior. Seu interesse pelo silêncio como tema literário reflete essa busca por experiências que transcendem a linguagem convencional.