Frases de Miguel Esteves Cardoso - Ao menos o aldrabão, através...

Ao menos o aldrabão, através das palavras que nos deixa, pode ser analisado e confrontado. O calado, em contrapartida, está protegido. Não tendo falado, não mentiu. Mantendo o silêncio, não induziu ninguém em erro. E, caso tenha induzido, a culpa obviamente não foi dele...
Miguel Esteves Cardoso
Significado e Contexto
A citação contrasta duas posturas: a do 'aldrabão' (mentiroso) e a do 'calado' (quem se mantém em silêncio). O aldrabão, ao expressar-se, deixa um rasto de palavras que podem ser analisadas, questionadas e confrontadas, tornando-o vulnerável à crÃtica e ao escrutÃnio. Em contrapartida, o calado protege-se através do silêncio: ao não falar, não comete explicitamente uma mentira, e assim pode evitar a culpa direta. A frase sugere que o silêncio pode ser uma forma subtil de engano, pois a omissão ou a recusa em comunicar podem induzir outros em erro, mas sem deixar provas tangÃveis. Num tom educativo, isto levanta questões sobre responsabilidade ética na comunicação: será que o silêncio é sempre inocente, ou pode ser uma estratégia para evitar a accountability?
Origem Histórica
Miguel Esteves Cardoso é um escritor, jornalista e cronista português, nascido em 1955, conhecido pela sua escrita afiada e crÃtica social. A citação reflete o seu estilo irónico e perspicaz, comum nas suas crónicas e ensaios, que frequentemente exploram temas como a verdade, a mentira e as dinâmicas sociais na cultura portuguesa contemporânea. Embora a origem exata da obra não seja especificada, enquadra-se no contexto do seu trabalho como comentador da sociedade portuguesa a partir dos anos 1980, perÃodo marcado por transformações polÃticas e culturais pós-Revolução dos Cravos.
Relevância Atual
Esta frase mantém relevância hoje devido à era da desinformação e das redes sociais, onde o silêncio pode ser usado estrategicamente para evitar responsabilidades, enquanto a mentira explÃcita é frequentemente denunciada. Em contextos como polÃtica, jornalismo ou relações interpessoais, a reflexão sobre o papel do silêncio na indução ao erro é crucial para promover uma comunicação mais transparente e ética.
Fonte Original: A citação é atribuÃda a Miguel Esteves Cardoso, provavelmente de uma das suas crónicas ou ensaios, mas a obra especÃfica não é indicada. É comum em compilações das suas reflexões.
Citação Original: Ao menos o aldrabão, através das palavras que nos deixa, pode ser analisado e confrontado. O calado, em contrapartida, está protegido. Não tendo falado, não mentiu. Mantendo o silêncio, não induziu ninguém em erro. E, caso tenha induzido, a culpa obviamente não foi dele...
Exemplos de Uso
- Num debate polÃtico, um candidato evita responder a perguntas directas, usando o silêncio para não comprometer-se, enquanto os oponentes que falam são criticados pelas suas promessas.
- Nas redes sociais, uma empresa omite informações negativas sobre um produto, induzindo os consumidores em erro sem mentir explicitamente, em contraste com anúncios falsos que são facilmente desmascarados.
- Numa relação pessoal, alguém guarda silêncio sobre um assunto importante, levando o outro a tirar conclusões erradas, enquanto uma mentira directa seria mais facilmente detectada e confrontada.
Variações e Sinônimos
- Quem cala consente, mas também pode enganar.
- O silêncio é de ouro, mas por vezes é cobarde.
- Mais vale um mentiroso conhecido que um calado suspeito.
- A omissão é uma forma de mentira.
- Falar é prata, calar é ouro, mas o ouro pode ser falso.
Curiosidades
Miguel Esteves Cardoso é conhecido por cunhar expressões e reflexões que se tornam populares em Portugal, muitas vezes através das suas crónicas em jornais como 'Público', contribuindo para o debate público com um humor subtil e crÃtico.