Frases de António Vieira - Três mais há neste mundo pel...

Três mais há neste mundo pelos quais anelam, pelos quais morrem e pelos quais matam os homens: mais fazenda; mais honra; mais vida.
António Vieira
Significado e Contexto
A citação de António Vieira identifica três impulsos fundamentais na conduta humana: 'mais fazenda' (riqueza material), 'mais honra' (reconhecimento social e prestígio) e 'mais vida' (sobrevivência e longevidade). O padre jesuíta observa como estes desejos podem tornar-se obsessivos, levando os indivíduos a extremos de ambição, sacrifício e até violência ('anelam', 'morrem', 'matam'). A estrutura tripartida e o uso de verbos progressivamente mais intensos criam uma crítica moral sobre como estes anseios, embora naturais, podem corromper quando desequilibrados. A frase serve como advertência sobre as paixões humanas que, sem moderação, podem destruir tanto o indivíduo como o tecido social.
Origem Histórica
António Vieira (1608-1697) foi um padre jesuíta, diplomata e escritor português do período barroco, ativo durante a União Ibérica e a Restauração. Viveu no Brasil colonial e em Portugal, sendo conhecido pelos seus sermões que combinavam retórica elaborada com crítica social e defesa dos direitos dos indígenas e dos cristãos-novos. Esta citação reflete o contexto do século XVII, marcado pela expansão colonial, pela busca de riquezas (como o ouro brasileiro), por rígidas hierarquias sociais onde a honra era capital simbólico, e por elevada mortalidade devido a doenças e conflitos. Vieira, como pregador, frequentemente analisava as fraquezas humanas à luz da doutrina cristã.
Relevância Atual
A frase mantém uma relevância impressionante na sociedade contemporânea. A busca por 'mais fazenda' ecoa no consumismo e na desigualdade económica; a ânsia por 'mais honra' manifesta-se nas redes sociais, na cultura da celebridade e na busca de validação pública; e o desejo de 'mais vida' reflete-se na indústria do wellness, na medicina anti-envelhecimento e nos debates bioéticos. A observação de Vieira alerta para os perigos de transformar estes desejos legítimos em fins absolutos, um aviso crucial numa era de hipercompetição e ansiedade existencial.
Fonte Original: A citação é provavelmente extraída de um dos numerosos sermões do Padre António Vieira. A obra 'Sermões' (publicados em múltiplos volumes ao longo do século XVII) é a fonte mais provável, embora a localização exata (título do sermão e data) possa variar conforme as edições. A frase é frequentemente citada em antologias de pensamento português.
Citação Original: Três mais há neste mundo pelos quais anelam, pelos quais morrem e pelos quais matam os homens: mais fazenda; mais honra; mais vida.
Exemplos de Uso
- Num debate sobre ética nos negócios, pode citar-se Vieira para questionar se a busca por 'mais fazenda' justifica práticas predatórias.
- Ao analisar a cultura das redes sociais, a ânsia por 'mais honra' (likes, seguidores) ilustra um desejo ancestral de reconhecimento.
- Em discussões sobre sustentabilidade, o desejo de 'mais vida' (longevidade, saúde) contrasta com a necessidade de preservar o planeta para as gerações futuras.
Variações e Sinônimos
- "Poder, riqueza e glória são os motores dos homens." (adaptação comum)
- "O homem é movido pelo desejo de possuir, de ser admirado e de perdurar."
- "Ambição, vaidade e medo da morte governam as ações humanas."
- Ditado popular: "Quem tudo quer, tudo perde." (reflete o perigo da ambição desmedida)
Curiosidades
António Vieira foi tão influente que o Papa Inocêncio XII, ao saber da sua morte, terá dito: "Morreu o homem que governou os reis". A sua defesa dos direitos dos indígenas no Brasil fez com que fosse perseguido pela Inquisição, sendo preso por quase dois anos.


