Frases de Voltaire - As paixões são como ventania

Frases de Voltaire - As paixões são como ventania...


Frases de Voltaire


As paixões são como ventanias que enfunam as velas dos navios, fazendo-os navegar. Algumas vezes os submergem, mas sem elas não se pode navegar.

Voltaire

Esta citação de Voltaire compara as paixões humanas às forças naturais que impulsionam a vida, sugerindo que, embora arriscadas, são essenciais para o progresso e a aventura existencial. Ela capta a dualidade entre o perigo e a necessidade do entusiasmo.

Significado e Contexto

A citação de Voltaire utiliza a metáfora náutica para ilustrar o papel das paixões na experiência humana. As paixões são comparadas a ventos que 'enfunam as velas', ou seja, fornecem a energia e a direção necessárias para avançar na vida, tal como os ventos movem os navios. No entanto, Voltaire reconhece o seu perigo inerente: 'algumas vezes os submergem', alertando para os excessos emocionais que podem levar à ruína. A frase conclui com uma afirmação fundamental: 'sem elas não se pode navegar', defendendo que uma vida completamente desprovida de paixão é estagnada e improdutiva. Esta visão reflete um equilíbrio típico do pensamento iluminista, que valorizava a razão mas não rejeitava totalmente a força motriz das emoções.

Origem Histórica

Voltaire (1694-1778) foi um dos principais filósofos do Iluminismo francês, um período marcado pela valorização da razão, da ciência e da crítica à autoridade tradicional. A sua obra frequentemente abordava temas como a liberdade, a tolerância e a natureza humana. Esta citação encapsula a sua visão de que o ser humano deve envolver-se ativamente no mundo, aceitando os riscos das emoções em vez de buscar uma impassibilidade estóica. O contexto é de uma Europa em transformação intelectual, onde se debatia o papel dos sentimentos na ética e no progresso.

Relevância Atual

A frase mantém-se profundamente relevante na sociedade contemporânea, onde se discute constantemente o equilíbrio entre razão e emoção, seja na tomada de decisões pessoais, no empreendedorismo ou nas relações interpessoais. Num mundo que por vezes glorifica o controlo emocional absoluto, Voltaire lembra-nos que a paixão é um motor essencial para a criatividade, a inovação e a coragem de enfrentar desafios. A metáfora aplica-se facilmente a contextos modernos como a paixão por um projeto, o amor ou a luta por uma causa, onde o risco de fracasso existe, mas a inação é vista como pior.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Voltaire, mas a sua origem exata numa obra específica é incerta. É comum em compilações de aforismos e pensamentos atribuídos ao autor, refletindo temas recorrentes na sua vasta produção literária e filosófica.

Citação Original: Les passions sont comme les vents qui enflent les voiles des vaisseaux, elles les font avancer, quelquefois elles les submergent, mais sans elles on ne pourrait voguer.

Exemplos de Uso

  • Um empreendedor arrisca tudo numa startup movido pela paixão, sabendo que pode falhar, mas que sem esse ímpeto nunca criaria algo novo.
  • Na arte, um pintor segue uma visão intensa e pessoal, aceitando que a crítica pode 'submergir' a sua reputação, mas que é essa mesma paixão que gera obras genuínas.
  • Num relacionamento, o amor profundo traz vulnerabilidade e potencial para sofrer, mas é essa conexão emocional que dá sentido à jornada partilhada.

Variações e Sinônimos

  • 'Quem não arrisca, não petisca' (provérbio popular)
  • 'A paixão é o vento que move o moinho da vida' (adaptação moderna)
  • 'As emoções são a bússola da alma, por vezes desorientam, mas sem elas estaríamos perdidos' (paráfrase filosófica)
  • 'Navegar é preciso, viver não é preciso' (Fernando Pessoa, ecoando a aceitação do risco)

Curiosidades

Voltaire, cujo nome verdadeiro era François-Marie Arouet, era conhecido pelo seu espírito crítico e mordaz, tendo sido preso e exilado várias vezes devido às suas ideias. A sua defesa da paixão como força motriz contrasta com a sua fama como racionalista, mostrando a complexidade do seu pensamento.

Perguntas Frequentes

O que Voltaire quis dizer com 'as paixões são como ventanias'?
Voltaire usou a metáfora para ilustrar que as paixões são forças naturais e poderosas que podem impulsionar-nos para a frente (como o vento que move um navio), mas que também comportam o risco de nos desequilibrar ou levar ao fracasso se não forem moderadas.
Esta citação defende que devemos seguir sempre as nossas paixões?
Não de forma irrefletida. A citação reconhece o perigo das paixões ('algumas vezes os submergem'), sugerindo a necessidade de equilíbrio. O ponto central é que uma vida sem paixão é estagnada; a ideia é aceitar o seu papel como motor, mas com consciência dos riscos.
Como aplicar esta ideia na educação ou no desenvolvimento pessoal?
Na educação, pode incentivar-se os alunos a explorarem os seus interesses com entusiasmo, aceitando que o erro faz parte do processo. No desenvolvimento pessoal, lembra que a paixão é um combustível para objetivos, mas deve ser acompanhada de planeamento e resiliência para lidar com contratempos.
Esta frase contradiz a valorização da razão no Iluminismo?
Não necessariamente. Voltaire, como iluminista, valorizava a razão, mas aqui mostra que as paixões têm um papel complementar. O Iluminismo não rejeitava todas as emoções; muitos pensadores viam-nas como parte integrante de uma vida plena e ativa, desde que guiadas pela reflexão.

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