Frases de Sophia de Mello Breyner Andresen - Se eu sei alguma coisa? Não s...

Se eu sei alguma coisa? Não sei, talvez saiba de uma maneira muito especial. Se sei está na minha poesia. A máscara é a forma de alguém dizer o que é. Ninguém diz o que não é. O resto é confessional e a poesia é anticonfessional. Por isso é que eu não gosto de dar entrevistas.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Significado e Contexto
Esta citação de Sophia de Mello Breyner Andresen revela uma visão profunda sobre a natureza da poesia e da expressão artística. A poetisa questiona o conhecimento direto, sugerindo que o verdadeiro saber não reside em afirmações categóricas, mas na dimensão especial da criação poética. Ao afirmar que 'a máscara é a forma de alguém dizer o que é', Sophia inverte a noção comum de máscara como falsidade, propondo que através da linguagem poética - que ela considera 'anticonfessional' - o poeta alcança uma autenticidade mais profunda do que através de confissões diretas. Esta perspetiva desafia a ideia de que a arte deve ser autobiográfica ou confessional, defendendo que a verdadeira essência humana se manifesta através da transformação artística.
Origem Histórica
Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) foi uma das mais importantes poetisas portuguesas do século XX, ativa durante o período do Estado Novo. O seu pensamento desenvolveu-se num contexto cultural onde a expressão artística era muitas vezes vigiada e censurada. A sua defesa da poesia como espaço de liberdade e verdade essencial pode ser entendida como uma resposta a este ambiente restritivo. A citação reflete também influências do modernismo português e do humanismo cristão que caracterizam a sua obra.
Relevância Atual
Esta reflexão mantém extrema relevância na era das redes sociais e da cultura da confissão pública. Num tempo onde se valoriza a transparência total e a partilha pessoal constante, Sophia recorda-nos que a verdade mais profunda nem sempre se expressa através da revelação direta. A sua ideia da 'máscara autêntica' oferece um contraponto valioso à pressão contemporânea para sermos sempre 'autênticos' de forma imediata e não mediada, sugerindo que a arte e a mediação poética podem revelar dimensões mais verdadeiras da experiência humana.
Fonte Original: Entrevista ou declaração pública de Sophia de Mello Breyner Andresen (contexto específico não documentado em fontes canónicas, mas amplamente citada em estudos sobre a poetisa).
Citação Original: Se eu sei alguma coisa? Não sei, talvez saiba de uma maneira muito especial. Se sei está na minha poesia. A máscara é a forma de alguém dizer o que é. Ninguém diz o que não é. O resto é confessional e a poesia é anticonfessional. Por isso é que eu não gosto de dar entrevistas.
Exemplos de Uso
- Um artista contemporâneo pode explicar que a sua obra, embora não seja autobiográfica, revela verdades essenciais sobre a condição humana através da linguagem simbólica.
- Num debate sobre autenticidade nas redes sociais, pode citar-se Sophia para argumentar que a construção cuidadosa de uma identidade online pode ser mais verdadeira do que partilhas impulsivas.
- Num contexto educativo, professores de literatura podem usar esta citação para discutir como a poesia transforma a experiência pessoal em verdade universal.
Variações e Sinônimos
- A arte é a máscara que revela o rosto verdadeiro
- A poesia diz o que as palavras comuns não conseguem expressar
- O que sabemos verdadeiramente está naquilo que criamos
- A confissão direta é superficial; a arte é profunda
Curiosidades
Sophia de Mello Breyner foi a primeira mulher portuguesa a receber o Prémio Camões, o mais importante galardão literário da língua portuguesa, em 1999.