Frases de Casimiro de Brito - O que se odeia não é um obje...

O que se odeia não é um objecto mas o seu envelhecimento. Quando não se aprendeu a ler o objecto novo que nele se instala.
Casimiro de Brito
Significado e Contexto
A citação de Casimiro de Brito propõe uma reflexão subtil sobre a natureza do ódio e da resistência à mudança. O autor sugere que, frequentemente, não odiamos uma coisa ou pessoa em si mesma, mas sim o seu processo de envelhecimento ou transformação – a perda da forma original que conhecíamos. O cerne da questão está na segunda parte: o ódio surge quando falhamos em 'ler' ou compreender o 'objeto novo' que se instala no lugar do antigo. Isto é, a aversão nasce da nossa incapacidade ou recusa em acompanhar e aceitar a evolução, preferindo fixar-nos numa imagem estática e desatualizada. Num contexto educativo, esta ideia convida a uma postura de abertura e aprendizagem contínua perante a realidade, que está em constante mutação. Odiamos o que não compreendemos, e a compreensão exige um esforço ativo de 'leitura' do novo. A frase alerta para os perigos do preconceito, da nostalgia cega e da rejeição automática do diferente, propondo que a verdadeira sabedoria está em saber ver a novidade mesmo no que parece desgastado ou familiar.
Origem Histórica
Casimiro de Brito (n. 1938) é um poeta e ficcionista português, figura destacada da literatura portuguesa do século XX e XXI. A sua obra, marcada por um profundo lirismo e reflexão filosófica, explora frequentemente temas como o tempo, a identidade, a linguagem e as transformações da existência. Esta citação insere-se no seu pensamento poético-filosófico, que questiona as perceções humanas e a relação com o mundo em mudança. Embora a origem exata da frase (livro ou poema específico) não seja indicada aqui, ela reflete preocupações centrais da sua produção literária, desenvolvida num contexto pós-moderno de questionamento das certezas e valorização do efémero.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância acentuada na sociedade contemporânea, marcada por rápidas mudanças tecnológicas, sociais e culturais. Vivemos numa era de transformações aceleradas (como a inteligência artificial, as alterações climáticas ou as mudanças nos valores sociais), onde é fácil desenvolver resistência ou 'ódio' face ao novo que substitui o familiar. A citação alerta para a importância da adaptabilidade e da aprendizagem contínua, competências essenciais no século XXI. Além disso, aplica-se a fenómenos atuais como o ageísmo (aversão ao envelhecimento), a rejeição de imigrantes (vistos como 'novos' num contexto tradicional) ou a nostalgia política, lembrando-nos que rejeitar a mudança pode ser um sintoma de falha em compreender a evolução.
Fonte Original: A fonte específica (livro, poema ou discurso) desta citação não é indicada no pedido. Recomenda-se consultar obras de Casimiro de Brito, como coletâneas poéticas ou ensaios, para localizar o contexto exato.
Citação Original: O que se odeia não é um objecto mas o seu envelhecimento. Quando não se aprendeu a ler o objecto novo que nele se instala.
Exemplos de Uso
- Num contexto tecnológico: 'Muitos odeiam as redes sociais não pela sua essência, mas por verem envelhecer os modos tradicionais de comunicação, sem aprender a ler as novas formas de conexão que elas trazem.'
- Nas relações interpessoais: 'O conflito geracional muitas vezes reflete ódio ao envelhecimento de valores, não aos jovens em si, mas à incapacidade de ler a nova realidade que eles representam.'
- No ambiente de trabalho: 'A resistência à digitalização nas empresas pode ser ódio ao envelhecimento de processos, não à tecnologia, mas à falta de aprendizagem para ler a eficiência do novo sistema.'
Variações e Sinônimos
- 'Odiar a mudança é não saber ver o novo.'
- 'A aversão é muitas vezes medo do desconhecido.'
- 'O preconceito nasce da incapacidade de ler a transformação.'
- Ditado popular: 'Casa onde há pão, todos lá vão' (contrasta com a ideia de rejeição do novo).
Curiosidades
Casimiro de Brito, além de poeta, foi um dinamizador cultural, tendo fundado e dirigido revistas literárias e promovido o diálogo entre escritores portugueses e internacionais, refletindo a sua abertura ao 'novo' na literatura.


