Frases de Mia Couto - A esperança é a última a mo...

A esperança é a última a morrer. Diz-se. Mas não é verdade. A esperança não morre por si mesma. A esperança é morta. Não é um assassínio espectacular, não sai nos jornais. É um processo lento e silencioso que faz esmorecer os corações, envelhecer os olhos dos meninos e nos ensina a perder crença no futuro.
Mia Couto
Significado e Contexto
A citação subverte o ditado popular 'a esperança é a última a morrer', argumentando que a esperança não desaparece naturalmente, mas é ativamente destruída por um processo gradual e invisível. Mia Couto descreve esta destruição não como um evento dramático, mas como uma erosão silenciosa que afeta os indivíduos e a sociedade, simbolizada pelo 'envelhecer os olhos dos meninos' – uma imagem poderosa da perda precoce da inocência e da capacidade de acreditar no amanhã. É uma crítica à forma como certas realidades sociais, políticas ou existenciais podem minar sistematicamente a nossa confiança no futuro.
Origem Histórica
Mia Couto, escritor moçambicano, viveu a transição do seu país para a independência e os subsequentes anos de guerra civil. A sua obra está profundamente marcada por este contexto pós-colonial, explorando temas como identidade, trauma coletivo, reconstrução e as complexidades da esperança numa realidade muitas vezes desoladora. Esta citação reflete uma visão desencantada, mas lúcida, comum na sua escrita, que mescla realismo mágico com uma aguda observação social.
Relevância Atual
A frase mantém uma relevância pungente num mundo marcado por crises climáticas, desigualdades sociais, polarização política e incertezas globais (como pandemias). Ela ressoa com quem sente que a esperança não é algo que simplesmente se perde, mas que é sistematicamente corroída por notícias negativas, desilusões institucionais ou um sentimento de impotência face a problemas complexos. Fala diretamente à experiência moderna de 'burnout' social ou cético.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Mia Couto e circula em antologias e discursos, mas a sua origem exata num livro específico é de difícil verificação absoluta. É amplamente reconhecida como parte do seu corpus de pensamento e estilo literário.
Citação Original: A esperança é a última a morrer. Diz-se. Mas não é verdade. A esperança não morre por si mesma. A esperança é morta. Não é um assassínio espectacular, não sai nos jornais. É um processo lento e silencioso que faz esmorecer os corações, envelhecer os olhos dos meninos e nos ensina a perder crença no futuro.
Exemplos de Uso
- Num debate sobre crise climática: 'Como diz Mia Couto, a esperança é morta por um processo lento – não podemos deixar que o cansaço nos impeça de agir.'
- Num contexto de desilusão política: 'A frase de Couto descreve bem como a corrupção repetida mata a esperança dos cidadãos, não de um dia para o outro, mas gota a gota.'
- Numa reflexão pessoal sobre burnout: 'Às vezes sinto que a minha esperança não desapareceu; foi sendo morta aos poucos pela rotina e pela desilusão.'
Variações e Sinônimos
- "A esperança é a última a morrer" (ditado popular que Couto contesta)
- "A esperança é uma coisa com penas" (Emily Dickinson)
- "A desesperança é o pior dos males" (provérbio)
- "Perder a fé no futuro"
Curiosidades
Mia Couto é biólogo de formação, e essa visão científica influencia a sua escrita, muitas vezes observando processos naturais (como o 'processo lento' da citação) para descrever fenómenos humanos e sociais.