Frases de Vergílio Ferreira - Não imaginamos a extensão do...

Não imaginamos a extensão do «faz-de-conta». É a forma de alargarmos os limites do possível.
Vergílio Ferreira
Significado e Contexto
A citação de Vergílio Ferreira sublinha a importância fundamental do ato de imaginar, personificado no «faz-de-conta», como um mecanismo cognitivo e existencial crucial. O «faz-de-conta» não é mera fantasia infantil, mas um processo ativo através do qual experimentamos hipóteses, projetamos futuros e reconfiguramos a nossa perceção do real. Ao fazê-lo, não escapamos da realidade, mas antes expandimos os seus contornos, questionando e ultrapassando os limites do que consideramos possível, tanto a nível individual como coletivo. Num tom educativo, podemos entender esta frase como uma defesa da capacidade humana de inovar e transcender. O «faz-de-conta» é a semente da ciência (através de hipóteses), da arte (através da ficção) e da mudança social (através da utopia). Vergílio Ferreira, num registo profundamente humanista, lembra-nos que a nossa liberdade e crescimento dependem desta capacidade de jogar com a realidade, de a esticar para lá do aparente, tornando-nos co-criadores do mundo em que vivemos.
Origem Histórica
Vergílio Ferreira (1916-1996) foi um dos mais importantes escritores e pensadores portugueses do século XX, associado ao movimento neorrealista e, mais tarde, a uma profunda reflexão existencialista. A sua obra, marcada por romances como "Aparição" e "Para Sempre", explora temas como a angústia, a solidão, a memória e a busca de significado. Esta citação reflete o seu interesse pela condição humana e pelos processos interiores — como a imaginação e a memória — que nos permitem confrontar e superar os limites da existência. Surge num contexto literário e filosófico pós-guerra, onde se questionavam os fundamentos da realidade e do indivíduo.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância extraordinária no mundo contemporâneo. Num contexto de rápidas mudanças tecnológicas, desafios globais e incerteza, a capacidade de «fazer-de-conta» — de imaginar soluções inovadoras, de simular futuros alternativos ou de praticar a empatia ao colocar-nos no lugar do outro — é mais crucial do que nunca. Aplica-se à resolução de problemas complexos, ao design thinking, à inteligência artificial (que simula cenários), à educação (onde o jogo e a simulação são ferramentas pedagógicas) e até à saúde mental, onde técnicas como a visualização positiva usam este princípio. A frase desafia-nos a valorizar a criatividade e o pensamento lateral como motores do progresso.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Vergílio Ferreira no âmbito da sua vasta obra de ficção e diários, que refletem sobre a escrita, a arte e a existência. Pode estar associada às suas reflexões metalinguísticas sobre o ato criativo, comum nos seus "Contos" ou nos volumes do diário "Pensar".
Citação Original: Não imaginamos a extensão do «faz-de-conta». É a forma de alargarmos os limites do possível.
Exemplos de Uso
- Na educação infantil, o jogo simbólico (faz-de-conta) é essencial para o desenvolvimento cognitivo e emocional, permitindo à criança explorar papéis sociais e resolver conflitos de forma segura.
- Empresas de inovação usam workshops de 'brainstorming' e cenários hipotéticos (uma forma de faz-de-conta adulto) para gerar ideias disruptivas e antecipar tendências de mercado.
- Na psicoterapia, técnicas como a 'ressignificação' ou a visualização guiada pedem ao paciente que 'faça de conta' que uma situação pode ser diferente, ajudando a superar traumas ou a construir novos comportamentos.
Variações e Sinônimos
- A imaginação é mais importante que o conhecimento. (Albert Einstein)
- O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. (Immanuel Kant) – no sentido de que a educação 'faz-de-conta' até se tornar real.
- Tudo o que você pode imaginar é real. (Pablo Picasso)
- Provisoriamente, não sei. Vamos supor. (Clarice Lispector, aproximação ao método do 'faz-de-conta')
- Ditado popular: 'Fingir até conseguir' (Fake it till you make it).
Curiosidades
Vergílio Ferreira era professor de Português e Francês no ensino secundário durante décadas. Muitas das suas reflexões mais profundas, como esta sobre o 'faz-de-conta', podem ter sido influenciadas pela sua observação direta do desenvolvimento da imaginação e da linguagem nos seus alunos.


