Frases de Clarice Lispector - Não entendo. Nossa televisão

Frases de Clarice Lispector - Não entendo. Nossa televisão...


Frases de Clarice Lispector


Não entendo. Nossa televisão, com excepções, é pobre, além de superlotada de anúncios. Mas Chacrinha foi demais. Simplesmente não entendi o fenómeno. E fiquei triste, decepcionada: eu quereria um povo mais exigente.

Clarice Lispector

Esta citação revela a tensão entre a crítica cultural e a perplexidade perante fenómenos populares. Lispector questiona a relação entre qualidade artística e o gosto das massas, num momento de introspeção sobre a exigência coletiva.

Significado e Contexto

A citação de Clarice Lispector expressa uma dupla desilusão: primeiro, com a qualidade geral da televisão brasileira, que ela considera 'pobre' e excessivamente comercializada; segundo, com o sucesso popular de um programa como o do apresentador Chacrinha, que representa precisamente o tipo de conteúdo que critica. A autora revela aqui uma postura intelectual que valoriza a exigência estética e questiona a passividade do público perante produtos culturais que considera inferiores. A sua tristeza não é apenas pessoal, mas reflete uma preocupação social mais ampla sobre os padrões culturais e a capacidade crítica do povo.

Origem Histórica

Clarice Lispector (1920-1977) escreveu esta reflexão durante o auge da popularidade de Abelardo Barbosa, o Chacrinha, nos anos 1960-1970 no Brasil. Este período foi marcado pela expansão da televisão como meio de comunicação de massas e pela consolidação de uma indústria cultural brasileira. Lispector, conhecida pela sua prosa introspetiva e filosófica, observava estes fenómenos a partir de uma posição de intelectual que frequentemente questionava as convenções sociais e culturais.

Relevância Atual

Esta citação mantém-se relevante porque antecipa debates contemporâneos sobre qualidade dos conteúdos mediáticos, excesso de publicidade, algoritmos que privilegiam conteúdos populares em detrimento da qualidade, e a relação entre entretenimento de massas e exigência cultural. A questão 'eu quereria um povo mais exigente' ressoa em discussões atuais sobre educação mediática, consumo crítico e a democratização do acesso a conteúdos culturais diversificados.

Fonte Original: A citação aparece em crónicas ou textos jornalísticos de Clarice Lispector, provavelmente publicados em jornais como o 'Jornal do Brasil' durante os anos 1970, quando a autora escrevia colunas regulares.

Citação Original: Não entendo. Nossa televisão, com excepções, é pobre, além de superlotada de anúncios. Mas Chacrinha foi demais. Simplesmente não entendi o fenómeno. E fiquei triste, decepcionada: eu quereria um povo mais exigente.

Exemplos de Uso

  • Em debates sobre reality shows, alguém pode citar Lispector para questionar: 'Será que não queremos um público mais exigente?'
  • Num artigo sobre qualidade da programação televisiva: 'Como diria Clarice Lispector, a televisão continua superlotada de anúncios.'
  • Numa reflexão sobre fenómenos culturais efémeros nas redes sociais: 'Este viral me fez lembrar da perplexidade de Lispector perante o sucesso do Chacrinha.'

Variações e Sinônimos

  • 'O povo tem o governo que merece' (adaptação do pensamento de Joseph de Maistre)
  • 'A televisão é um espelho da sociedade'
  • 'Entretenimento não precisa ser sinónimo de mediocridade'
  • 'A cultura de massas e a exigência intelectual'

Curiosidades

Chacrinha, alvo da crítica de Lispector, era conhecido como 'Velho Guerreiro' e criou programas que misturavam caos, humor e participação popular, tornando-se uma figura tão icónica que foi tema de música de Chico Buarque ('Vai Passar') e inspirou gerações de comunicadores.

Perguntas Frequentes

Por que Clarice Lispector criticava o Chacrinha?
Lispector não criticava especificamente Chacrinha como pessoa, mas o fenómeno cultural que ele representava: um entretenimento que, na sua perspetiva, refletia baixa exigência artística e aceitação passiva por parte do público.
Esta citação reflete elitismo cultural?
Alguns interpretam como elitismo, mas pode ser vista como uma defesa da qualidade e diversidade cultural, questionando por que o público aceita conteúdos que a autora considerava pobres.
O que Chacrinha representava na cultura brasileira?
Chacrinha representava a televisão popular, democrática e caótica, que falava diretamente às massas, contrastando com a televisão mais formal e intelectual que Lispector possivelmente valorizava.
A crítica de Lispector à publicidade é ainda atual?
Totalmente. O excesso de publicidade e a comercialização dos conteúdos continuam a ser temas relevantes, agora ampliados para plataformas digitais e streaming.

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