Frases de Sophia de Mello Breyner Andresen - Não gosto de dar entrevistas ...

Não gosto de dar entrevistas porque a minha memória é um filme e não é um ficheiro.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Significado e Contexto
A citação 'Não gosto de dar entrevistas porque a minha memória é um filme e não é um ficheiro' expressa uma visão profundamente poética da memória humana. Sophia de Mello Breyner Andresen contrasta a natureza fluida, sensorial e subjectiva das nossas recordações (o 'filme') com a rigidez, objectividade e organização dos arquivos documentais (o 'ficheiro'). Esta metáfora sugere que a verdadeira memória é uma experiência vivida e reconstruída, repleta de emoções, imagens e sons, em vez de um conjunto de dados factuais estáticos. A frase também reflecte uma certa resistência à simplificação ou categorização da experiência pessoal, comum em contextos formais como entrevistas, onde as narrativas são frequentemente reduzidas a informações discretas. Num contexto educativo, esta ideia convida à reflexão sobre como construímos e partilhamos as nossas histórias pessoais e colectivas. Questiona a fiabilidade dos registos históricos puramente factuais e valoriza a dimensão subjectiva e emocional da recordação. A metáfora do filme enfatiza a natureza narrativa e cinematográfica da consciência humana, onde as memórias são editadas, reinterpretadas e vividas como cenas de uma obra em contínua evolução, em oposição à imutabilidade de um ficheiro digital ou documental.
Origem Histórica
Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004) foi uma das mais importantes poetisas portuguesas do século XX, premiada com o Prémio Camões em 1999. A citação surge num contexto de crescente mediatização e valorização das entrevistas como forma de acesso à vida dos artistas, durante o final do século XX. Sophia, conhecida pela sua reserva e profundidade literária, frequentemente evitava exposições públicas excessivas, privilegiando a autenticidade da criação poética sobre a persona pública. A frase reflecte o seu compromisso com a integridade artística e a desconfiança face à simplificação da experiência humana em formatos jornalísticos ou documentais.
Relevância Atual
Esta frase mantém uma relevância acentuada na era digital, onde a informação é frequentemente tratada como 'ficheiros' de dados, algoritmicamente organizados e quantificados. Num mundo de redes sociais, gravações omnipresentes e arquivos digitais, a citação lembra-nos da importância da experiência subjectiva, sensorial e narrativa. É particularmente pertinente em debates sobre privacidade, autenticidade e a natureza da memória em contextos de inteligência artificial e preservação digital. A metáfora ressoa também com discussões contemporâneas sobre saúde mental, onde a memória traumática ou a reconstrução narrativa da identidade são centrais.
Fonte Original: A citação é atribuída a declarações públicas ou entrevistas de Sophia de Mello Breyner Andresen, embora não esteja identificada num livro específico. É frequentemente citada em contextos biográficos, artigos sobre a autora ou antologias de citações literárias.
Citação Original: Não gosto de dar entrevistas porque a minha memória é um filme e não é um ficheiro.
Exemplos de Uso
- Num debate sobre autobiografias, um escritor pode usar a frase para explicar por que prefere a ficção à não-ficção para expressar experiências pessoais.
- Em terapia, um paciente pode referir-se à citação para descrever como as memórias surgem como cenas vívidas e emocionais, não como factos lineares.
- Num curso de literatura, um professor pode citar Sophia para ilustrar a diferença entre a verdade factual e a verdade poética na construção da identidade.
Variações e Sinônimos
- A memória é uma tapeçaria, não um arquivo.
- Recordar é reviver, não consultar um registo.
- As nossas lembranças são paisagens, não mapas.
- Ditado popular: 'A memória é seletiva, como um realizador de cinema.'
Curiosidades
Sophia de Mello Breyner Andresen foi a primeira mulher portuguesa a receber o Prémio Camões, o mais importante galardão literário da língua portuguesa, em 1999. A sua obra é marcada por uma profunda ligação ao mar e à mitologia clássica.


