Frases de Voltaire - A mentira apenas é um vício

Frases de Voltaire - A mentira apenas é um vício ...


Frases de Voltaire


A mentira apenas é um vício quando faz mal; é uma grande virtude quando faz bem.

Voltaire

Esta citação de Voltaire desafia-nos a repensar a moralidade da verdade e da mentira, sugerindo que o valor de uma afirmação reside nas suas consequências, não na sua veracidade intrínseca. Convida a uma reflexão sobre o pragmatismo ético em situações complexas.

Significado e Contexto

Esta citação de Voltaire apresenta uma visão consequencialista da ética, onde o valor moral de uma mentira depende exclusivamente dos seus efeitos. Quando uma mentira causa dano, torna-se um vício moral; quando produz benefício, transforma-se numa virtude. Esta perspetiva desafia as noções absolutas de verdade e falsidade, sugerindo que o contexto e as consequências devem guiar o nosso juízo ético. Voltaire não defende a desonestidade indiscriminada, mas propõe uma avaliação pragmática onde o bem-estar humano prevalece sobre a adesão rígida à verdade factual. Esta abordagem reflete o seu ceticismo em relação a dogmas e a sua confiança na razão prática para resolver dilemas morais.

Origem Histórica

Voltaire (1694-1778) foi um dos principais filósofos do Iluminismo francês, conhecido pela sua defesa da liberdade de expressão, separação entre Igreja e Estado, e crítica à autoridade dogmática. Esta citação reflete o seu pensamento pragmático e anti-absolutista, característico de uma época que valorizava a razão, a tolerância e o progresso social. O Iluminismo questionava verdades estabelecidas, e Voltaire aplicava este ceticismo até às noções morais mais fundamentais.

Relevância Atual

Esta frase mantém-se relevante nos debates contemporâneos sobre ética, política e comunicação. Discute-se se 'mentiras piedosas' em medicina, discursos políticos estratégicos ou informações filtradas em jornalismo podem ser justificadas pelo bem comum. Na era da desinformação, a citação convida a refletir sobre quando a transparência absoluta é desejável e quando o pragmatismo pode servir objetivos éticos maiores.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Voltaire, mas a origem exata na sua vasta obra (cartas, ensaios, peças de teatro) não é completamente confirmada. É citada em várias antologias de pensamentos filosóficos e compilações de aforismos.

Citação Original: Le mensonge n'est un vice que quand il fait du mal; c'est une grande vertu quand il fait du bien.

Exemplos de Uso

  • Um médico que omite detalhes alarmantes a um paciente terminal para preservar a sua paz nos últimos dias.
  • Um pai que inventa uma história reconfortante para acalmar um filho após um pesadelo.
  • Um diplomata que suaviza declarações conflituosas durante negociações de paz para evitar escaladas perigosas.

Variações e Sinônimos

  • A verdade deve ser dita, mas nem toda a verdade deve ser dita.
  • Há mentiras que salvam e verdades que matam.
  • A mentira tem pernas curtas, mas às vezes chega mais longe que a verdade.
  • Nem tudo o que é verdadeiro é útil.

Curiosidades

Voltaire usava frequentemente pseudónimos e publicava obras anonimamente para evitar perseguição, uma prática que ilustra o seu próprio pragmatismo em relação à verdade quando a sua segurança estava em jogo.

Perguntas Frequentes

Voltaire defendia a mentira em geral?
Não, Voltaire defendia uma avaliação consequencialista: apenas mentiras que produzem benefícios claros podem ser consideradas virtuosas, enquanto as prejudiciais são vícios.
Esta citação justifica a desinformação?
Não, pois a desinformação moderna geralmente causa danos sociais amplos. Voltaire referia-se a situações específicas onde o benefício é evidente e o dano da verdade seria maior.
Como se relaciona com o conceito de 'mentira piedosa'?
É uma expressão prática da mesma ideia: uma mentira dita por compaixão ou para evitar um mal maior, alinhando-se com a visão de que as consequências determinam o valor moral.
Esta perspetiva é aceite na ética contemporânea?
É debatida. Correntes como o consequencialismo partilham esta lógica, mas deontologistas defendem que a mentira é intrinsecamente errada, independentemente das consequências.

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