Frases de António Vieira - Tanto foi em todas as idades d...

Tanto foi em todas as idades do mundo e tanto é hoje, na curiosidade humana, o apetite de conhecer o futuro!
António Vieira
Significado e Contexto
A citação de António Vieira sublinha uma característica fundamental da natureza humana: a curiosidade insaciável em relação ao futuro. Ele observa que este 'apetite de conhecer o futuro' não é um fenómeno moderno, mas uma constante que atravessa 'todas as idades do mundo'. Isto sugere que o desejo de prever, antecipar ou compreender o que está para vir é intrínseco à nossa condição, independentemente do contexto histórico ou cultural. A palavra 'apetite' é particularmente significativa, pois implica um desejo quase físico, uma fome que precisa de ser saciada, destacando a intensidade e a universalidade desta aspiração humana. Num tom educativo, podemos interpretar que Vieira não está apenas a descrever uma mera curiosidade, mas uma força motriz que impulsiona a ciência, a religião, a arte e as decisões quotidianas. Este desejo manifesta-se na astrologia antiga, nas previsões económicas modernas, na planificação de carreiras ou na simples pergunta 'O que vai acontecer amanhã?'. Reconhecer esta constante ajuda-nos a compreender melhor as nossas motivações e as da sociedade ao longo da história.
Origem Histórica
António Vieira (1608-1697) foi um importante padre jesuíta, orador, escritor e diplomata português do período barroco. Viveu durante a União Ibérica e a Restauração da Independência, uma época de grandes transformações políticas, religiosas e expansionistas para Portugal. A sua obra, marcada pelos 'Sermões', reflete preocupações com a moral, a fé, a política colonial (especialmente a defesa dos direitos dos indígenas no Brasil) e a condição humana. Esta citação provavelmente integra um dos seus sermões, onde frequentemente explorava temas universais com uma retórica poderosa e persuasiva, destinada a educar e moralizar os ouvintes.
Relevância Atual
A frase mantém uma relevância extraordinária hoje porque a 'curiosidade pelo futuro' continua a ser um motor central das sociedades contemporâneas. Vemo-la na obsessão por previsões tecnológicas (IA, exploração espacial), nas análises de tendências de mercado, na popularidade de horóscopos e leituras de tarot nas redes sociais, e na ansiedade gerada por incertezas como as alterações climáticas ou crises globais. A citação serve como um lembrete filosófico de que, apesar dos avanços tecnológicos, a natureza fundamental do desejo humano por certezas futuras permanece inalterada, convidando à reflexão sobre como gerimos essa curiosidade no século XXI.
Fonte Original: A citação é atribuída a António Vieira, muito provavelmente extraída de um dos seus numerosos 'Sermões'. Não é possível identificar o sermão exato sem uma referência mais específica, mas o estilo e o tema são característicos da sua oratória.
Citação Original: Tanto foi em todas as idades do mundo e tanto é hoje, na curiosidade humana, o apetite de conhecer o futuro!
Exemplos de Uso
- Na abertura de uma conferência sobre inovação: 'Como disse Vieira, temos um apetite insaciável por conhecer o futuro – é isso que nos traz aqui hoje para debater as próximas fronteiras da tecnologia.'
- Num artigo sobre psicologia: 'A ansiedade face ao desconhecido pode ser entendida como o "apetite de conhecer o futuro" de que falava Vieira, agora amplificado pela hiperconectividade.'
- Num contexto educativo: 'Estimular a curiosidade científica nas crianças é canalizar o "apetite de conhecer o futuro" que Vieira descreveu como uma constante humana.'
Variações e Sinônimos
- A curiosidade matou o gato.
- O homem é um animal que olha para o futuro.
- Quem viver, verá.
- O futuro a Deus pertence.
- A esperança é a última a morrer.
Curiosidades
António Vieira era conhecido como o 'Imperador da Língua Portuguesa' devido ao seu domínio excecional da retórica e da escrita. Defendeu corajosamente os direitos dos povos indígenas no Brasil, posicionando-se contra a escravidão, o que lhe valeu tanto admiração como conflitos com as autoridades.


