Frases de Ugo Foscolo - Quando penso no futuro, fecho

Frases de Ugo Foscolo - Quando penso no futuro, fecho ...


Frases de Ugo Foscolo


Quando penso no futuro, fecho os olhos para não o entrever, estremeço, e com a memória entrego-me aos dias passados.

Ugo Foscolo

Esta citação de Ugo Foscolo captura a tensão humana entre o medo do futuro incerto e o conforto nostálgico do passado. Revela como a memória serve de refúgio quando a antecipação do porvir se torna insuportável.

Significado e Contexto

A citação expressa uma profunda aversão psicológica face ao futuro, simbolizada pelo ato de 'fechar os olhos para não o entrever'. O verbo 'estremeço' reforça uma reação física de medo ou ansiedade. Em contrapartida, a 'memória' e os 'dias passados' representam um porto seguro emocional, um território conhecido onde o eu se pode 'entregar' com menor angústia. Foscolo articula aqui um dilema humano universal: a dificuldade em confrontar a incerteza do amanhã e o recurso à nostalgia como mecanismo de defesa psicológica. Num plano mais amplo, a frase pode ser lida como uma manifestação do espírito romântico, que valorizava a introspeção, a melancolia e uma certa desilusão face ao presente ou ao devir histórico. O passado é idealizado não apenas como recordação, mas como um espaço de significado e identidade, em oposição a um futuro percecionado como vazio, ameaçador ou desprovido de garantias.

Origem Histórica

Ugo Foscolo (1778-1827) foi um dos principais poetas e escritores do pré-Romantismo e Romantismo italiano. Viveu numa época de grandes convulsões, como as guerras napoleónicas e a restauração austríaca, períodos marcados por instabilidade política, exílio e desilusão com os ideais revolucionários. A sua obra, incluindo o romance epistolar 'Últimas Cartas de Jacopo Ortis' (1802), é profundamente marcada por temas como a pátria, o exílio, a morte, o amor impossível e uma melancolia existencial. Esta citação reflete esse estado de espírito 'foscoliano', onde o indivíduo, desenraizado do presente, busca consolo na memória e na contemplação do que já foi.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância pungente na sociedade contemporânea, caracterizada por incertezas globais (mudanças climáticas, crises económicas, polarização política), pela aceleração do tempo e pela ansiedade face ao futuro ('future anxiety'). O gesto de 'fechar os olhos' ao futuro ecoa a tentação de evitar notícias ou de se refugiar no escapismo digital. Paralelamente, a 'entrega' aos dias passados manifesta-se na popularidade da nostalgia na cultura pop, nos 'revivals' e na idealização de décadas anteriores. A citação serve, assim, como um espelho literário para discutir saúde mental, a relação com o tempo e a gestão da incerteza no século XXI.

Fonte Original: A citação é extraída do romance epistolar 'Últimas Cartas de Jacopo Ortis' ('Ultime lettere di Jacopo Ortis'), considerada a primeira grande obra romântica italiana. É atribuída ao protagonista, Jacopo Ortis, que encarna o 'mal do século' e a desilusão existencial.

Citação Original: "Quando penso all'avvenire, chiudo gli occhi per non vederlo, fremo, e con la memoria mi abbandono ai giorni passati."

Exemplos de Uso

  • Num contexto de crise pessoal, alguém pode partilhar: 'Estou como Foscolo: fecho os olhos ao futuro e entrego-me às memórias felizes da infância.'
  • Num artigo sobre ansiedade climática: 'A citação de Foscolo descreve a tentação de ignorar previsões alarmistas e refugiar-se numa ideia idealizada do passado ambiental.'
  • Numa reflexão sobre envelhecimento: 'Muitos idosos identificam-se com Foscolo, encontrando mais conforto nas recordações do que na perspetiva de um futuro incerto.'

Variações e Sinônimos

  • "O passado é um refúgio contra o futuro." (ideia similar)
  • "Viver de recordações." (ditado popular)
  • "A nostalgia é a dor do regresso impossível." (conceito relacionado)
  • "Tememos o que não conhecemos." (reflexão geral sobre o futuro)

Curiosidades

Ugo Foscolo, após a sua morte, teve o seu corpo exumado e trasladado para a Basílica de Santa Croce, em Florença, ao lado de outros grandes nomes italianos como Michelangelo e Galileu, cumprindo um desejo expresso no seu poema 'Dei Sepolcri'.

Perguntas Frequentes

O que significa 'entregar-se aos dias passados' na citação?
Significa refugiar-se emocional e mentalmente nas memórias e no passado, vendo-o como um porto seguro face à incerteza ou ao medo do futuro.
Em que obra de Ugo Foscolo aparece esta citação?
A citação aparece no romance 'Últimas Cartas de Jacopo Ortis', uma obra seminal do Romantismo italiano que explora temas como o desespero, o amor e o exílio.
Por que é que esta frase é considerada romântica?
Porque expressa uma intensa subjetividade, um conflito emocional interior (medo vs. nostalgia) e uma preferência pelo mundo interior e pelas memórias, características centrais da literatura romântica.
Como se relaciona esta citação com a ansiedade moderna?
Relaciona-se diretamente, pois descreve a aversão a contemplar um futuro percecionado como ameaçador, um sentimento comum em sociedades com elevados níveis de incerteza e stress, levando muitas pessoas a um escapismo nostálgico.

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