Frases de Arthur Schopenhauer - Um carácter bom, moderado e b

Frases de Arthur Schopenhauer - Um carácter bom, moderado e b...


Frases de Arthur Schopenhauer


Um carácter bom, moderado e brando pode sentir-se satisfeito em circunstâncias adversas; enquanto que um carácter cobiçoso, invejoso e mau não se contenta nem mesmo no meio de todas as riquezas.

Arthur Schopenhauer

Esta citação de Schopenhauer revela uma verdade profunda sobre a natureza humana: a felicidade não reside nas circunstâncias externas, mas na qualidade do nosso carácter interior. A satisfação é um fruto da virtude, não da fortuna.

Significado e Contexto

Esta citação de Arthur Schopenhauer contrasta dois tipos fundamentais de carácter humano e a sua relação com a felicidade. Por um lado, um indivíduo com um carácter 'bom, moderado e brando' possui uma disposição interior que lhe permite encontrar contentamento mesmo em situações difíceis ou adversas. A sua satisfação deriva de qualidades internas como a moderação, a serenidade e a bondade, que o tornam resiliente e menos dependente das condições externas. Por outro lado, uma pessoa com um carácter 'cobiçoso, invejoso e mau' está condenada à insatisfação perpétua. Mesmo rodeada de riqueza material e conforto, a sua natureza intrinsecamente desejosa e negativa impede-a de encontrar paz ou felicidade genuína. Schopenhauer sugere assim que a chave para o bem-estar não está no que possuímos, mas no que somos interiormente.

Origem Histórica

Arthur Schopenhauer (1788-1860) foi um filósofo alemão do século XIX, conhecido pelo seu pessimismo filosófico e pela influência que exerceu sobre pensadores como Nietzsche e Freud. A sua obra principal, 'O Mundo como Vontade e Representação', desenvolve a ideia de que a vida é fundamentalmente sofrimento, impulsionada por uma 'vontade' cega e insaciável. Esta citação reflete a sua visão de que a felicidade é essencialmente negativa (a ausência de dor ou desejo) e que o carácter individual – em grande parte inato, segundo ele – determina a nossa capacidade de a alcançar. O contexto é o do Romantismo e do Idealismo alemão, mas Schopenhauer distanciava-se do otimismo de Hegel, enfatizando antes a importância da resignação, da compaixão e do controlo dos desejos egoístas.

Relevância Atual

Esta frase mantém uma relevância extraordinária no mundo contemporâneo, marcado pelo consumismo, pela comparação social nas redes sociais e pela busca incessante de sucesso material. Num contexto em que muitas pessoas associam a felicidade à acumulação de bens ou ao reconhecimento externo, Schopenhauer recorda-nos que a insatisfação crónica pode ser um problema de carácter, não de circunstância. A citação ressoa com movimentos modernos como o minimalismo, a atenção plena (mindfulness) e a psicologia positiva, que enfatizam a importância da gratidão, da moderação e do desenvolvimento pessoal interior face à volatilidade do mundo exterior. Serve como um alerta contra a ilusão de que a riqueza ou o status, por si só, podem trazer contentamento duradouro.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Schopenhauer, embora a sua origem exata dentro da sua vasta obra (como 'Parerga e Paralipomena' ou 'Aforismos para a Sabedoria da Vida') não seja sempre especificada. Reflete de forma condensada temas centrais da sua filosofia ética e psicológica.

Citação Original: Ein guter, mäßiger und sanfter Charakter kann sich bei widrigen Umständen zufrieden fühlen; während ein habgieriger, neidischer und boshafter Charakter selbst inmitten aller Reichtümer nicht zufrieden ist.

Exemplos de Uso

  • Um empreendedor que, apesar de falhar num negócio, mantém a serenidade e aprende com a experiência, em contraste com um colega milionário que vive ansioso e insatisfeito com o que tem.
  • Nas redes sociais, uma pessoa que valoriza relações genuínas e pequenos prazeres, versus outra que, mesmo com muitos seguidores e 'likes', sente inveja e vazio constante.
  • Num contexto de crise económica, famílias com hábitos moderados e espírito comunitário que encontram satisfação, enquanto outras, mesmo abastadas, amplificam o seu descontentamento através do consumismo desenfreado.

Variações e Sinônimos

  • Quem tem paz na alma, tem tudo; quem não a tem, nada tem.
  • A riqueza de um homem não está na abundância dos seus bens, mas na contentamento do seu espírito.
  • Mais vale pouco com contentamento, que muito com tristeza.
  • A felicidade depende mais da disposição interior do que das circunstâncias exteriores.
  • Quem não se contenta com pouco, não se contenta com nada.

Curiosidades

Schopenhauer era conhecido por ter um temperamento difícil e misantropo na vida pessoal, o que contrasta ironicamente com a defesa de um carácter 'brando' na sua filosofia. Apesar do seu pessimismo, acreditava que a arte, a moralidade (baseada na compaixão) e a negação da vontade poderiam oferecer escapes ao sofrimento humano.

Perguntas Frequentes

Schopenhauer acreditava que o carácter pode ser mudado?
Schopenhauer tendia a ver o carácter como algo em grande parte inato e imutável, uma manifestação da 'vontade' metafísica de cada indivíduo. No entanto, admitia que o conhecimento e a reflexão filosófica podiam moderar as suas expressões negativas.
Esta citação é otimista ou pessimista?
É uma mistura. É pessimista ao sugerir que um carácter mau está condenado à infelicidade, mas otimista ao afirmar que um bom carácter pode encontrar satisfação mesmo na adversidade, oferecendo uma via possível para o contentamento.
Como aplicar esta ideia no dia a dia?
Praticando a gratidão pelo que se tem, cultivando a moderação nos desejos, desenvolvendo a resiliência emocional e focando-se no crescimento pessoal interior em vez de na comparação social ou na acumulação material.
Esta visão contradiz a psicologia moderna?
Não totalmente. A psicologia positiva e estudos sobre bem-estar sublinham que fatores como a gratidão, as relações sociais e um sentido de propósito (aspectos do 'carácter') são mais determinantes para a felicidade do que a riqueza material, ecoando a intuição de Schopenhauer.

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