Frases de Arthur Schopenhauer - A glória que se tornará pós...

A glória que se tornará póstera assemelha-se a um carvalho que cresce bem lentamente a partir da sua semente; a glória fácil, efémera, assemelha-se às plantas anuais, que crescem rapidamente, e a glória falsa parece-se com a erva daninha, que nasce num piscar de olhos e que nos apressamos a arrancar.
Arthur Schopenhauer
Significado e Contexto
Schopenhauer distingue três tipos de glória através de uma metáfora botânica precisa. A glória póstera, comparada ao carvalho que cresce lentamente, representa o reconhecimento que surge após a morte e que perdura através dos séculos, baseado em contribuições genuínas e profundas. A glória fácil e efémera assemelha-se às plantas anuais - cresce rapidamente mas desaparece com a mesma velocidade, representando a fama superficial e temporária. Finalmente, a glória falsa é como a erva daninha: surge subitamente mas é rapidamente rejeitada por não ter valor real. Esta distinção reflete a visão pessimista de Schopenhauer sobre a natureza humana e a sociedade. O filósofo sugere que apenas o trabalho profundo e autêntico gera legados verdadeiros, enquanto a busca por reconhecimento imediato geralmente conduz a resultados transitórios ou ilusórios. A metáfora serve como advertência sobre onde colocar as nossas ambições e como avaliar o sucesso alheio.
Origem Histórica
Arthur Schopenhauer (1788-1860) foi um filósofo alemão do século XIX, conhecido pelo seu pessimismo filosófico e pela influência que exerceu sobre Nietzsche, Freud e outros pensadores. Esta citação provém provavelmente dos seus 'Parerga e Paralipomena' (1851), uma coleção de ensaios e aforismos onde desenvolve muitas das suas ideias de forma acessível. Schopenhauer escreveu numa época de transição entre o Idealismo Alemão e o pensamento contemporâneo, marcada pelo romantismo mas também por um crescente ceticismo em relação aos valores tradicionais.
Relevância Atual
Esta reflexão mantém uma relevância extraordinária na era das redes sociais e da cultura da celebridade instantânea. A distinção entre fama viral (plantas anuais) e legado duradouro (carvalho) ajuda a analisar criticamente os nossos modelos de sucesso contemporâneos. A metáfora oferece um antídoto conceptual à pressão por reconhecimento imediato, lembrando-nos que o valor real muitas vezes só é reconhecido com o tempo. Num mundo obcecado com métricas de curto prazo, a visão de Schopenhauer convida a repensar o que significa deixar uma marca significativa.
Fonte Original: Provavelmente de 'Parerga und Paralipomena' (1851), uma coleção de ensaios filosóficos de Schopenhauer.
Citação Original: Der posthume Ruhm gleicht einer Eiche, die sehr langsam aus ihrem Samen wächst; der leichte, vergängliche Ruhm gleicht den einjährigen Pflanzen, die schnell wachsen, und der falsche Ruhm gleicht dem Unkraut, das im Nu wächst und das man eilig ausreißt.
Exemplos de Uso
- Um investigador que desenvolve uma teoria revolucionária só recebe o Prémio Nobel décadas depois, exemplificando a glória póstera como o carvalho de crescimento lento.
- Um influencer que atinge milhões de seguidores em semanas mas é esquecido no ano seguinte representa a planta anual da fama efémera.
- Um político que ganha notoriedade através de falsas promessas mas é rapidamente desmascarado pela opinião pública ilustra a erva daninha da glória falsa.
Variações e Sinônimos
- A fama que vem depressa, depressa se vai
- As obras permanecem, as vaidades passam
- Roma não foi construída num dia
- Quem semeia ventos colhe tempestades
- Mais vale tarde do que nunca
Curiosidades
Schopenhauer era um grande admirador da filosofia oriental, particularmente do budismo e do hinduísmo, influências que se refletem na sua visão sobre a ilusão dos desejos mundanos, incluindo a busca por glória.