Frases de Mia Couto - Sou um cego que vê muitas por...

Sou um cego que vê muitas portas. Abro aquela que está mais perto. Não escolho, tropeço a mão no fecho.
Mia Couto
Significado e Contexto
A citação de Mia Couto utiliza a imagem do 'cego que vê muitas portas' para representar a condição humana perante as infinitas possibilidades da vida. O cego, embora privado da visão, percebe a existência de múltiplas portas (oportunidades ou caminhos), mas age de forma quase involuntária: 'Abro aquela que está mais perto. Não escolho, tropeço a mão no fecho.' Isto sugere que muitas das nossas decisões não são fruto de uma escolha consciente e ponderada, mas sim de uma resposta ao imediato, ao acaso ou às circunstâncias que nos rodeiam. A frase convida a uma reflexão sobre o livre-arbítrio e o destino, questionando até que ponto somos realmente autores das nossas escolhas ou se somos levados por forças além do nosso controlo. Num contexto educativo, esta metáfora pode ser usada para discutir temas como a tomada de decisões, a importância do contexto nas nossas vidas e a relação entre intuição e razão. A ideia de 'tropeçar' no fecho da porta enfatiza a natureza por vezes desajeitada e imprevisível do agir humano, lembrando-nos que a sabedoria pode residir na aceitação da incerteza e na capacidade de agir mesmo sem uma visão completa do caminho.
Origem Histórica
Mia Couto é um escritor moçambicano nascido em 1955, cuja obra é profundamente marcada pelo contexto pós-colonial de Moçambique. A sua escrita combina realismo mágico, tradições orais africanas e uma reflexão sobre identidade, guerra e reconstrução nacional. Embora a citação específica possa não estar associada a uma obra concreta (é frequentemente citada de forma isolada), ela reflete temas recorrentes na sua literatura, como a busca de sentido num mundo fragmentado e a interação entre o individual e o coletivo. O período pós-independência de Moçambique, com os seus desafios de construção nacional, influencia a sua visão sobre escolhas e destino.
Relevância Atual
Esta frase mantém-se relevante hoje porque aborda questões universais e atemporais: a ansiedade perante as múltiplas opções da vida moderna, a pressão para fazer escolhas 'certas' e a sensação de que o acaso desempenha um papel maior do que gostaríamos de admitir. Num mundo hiperconectado e cheio de possibilidades, a metáfora do cego que age por proximidade ressoa com quem se sente sobrecarregado pela liberdade de escolha. Além disso, fala à condição humana de avançar sem certezas, um tema pertinente em tempos de incerteza global, como crises económicas, pandemias ou mudanças climáticas.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Mia Couto em antologias e sites de citações, mas a sua origem exata (como livro ou discurso específico) não é amplamente documentada. Pode derivar de entrevistas, obras menores ou ser uma adaptação de temas presentes na sua literatura.
Citação Original: Sou um cego que vê muitas portas. Abro aquela que está mais perto. Não escolho, tropeço a mão no fecho.
Exemplos de Uso
- Na psicologia, esta frase ilustra como as decisões podem ser guiadas por heurísticas (atalhos mentais) em vez de análise racional, como quando escolhemos uma opção familiar por ser a mais acessível.
- Em coaching ou desenvolvimento pessoal, pode ser usada para discutir a importância de agir mesmo sem clareza total, enfatizando que 'tropeçar' no caminho é parte do processo de aprendizagem.
- No contexto empresarial, reflete a tomada de decisões sob pressão, onde os gestores podem optar pela solução mais imediata ('porta mais perto') em vez de uma análise exaustiva de todas as alternativas.
Variações e Sinônimos
- "O acaso guia mais do que a razão."
- "Às vezes, o caminho escolhe-nos a nós."
- "A vida é feita de portas que se abrem sem aviso."
- Ditado popular: "Deus escreve certo por linhas tortas."
Curiosidades
Mia Couto, além de escritor, é biólogo de formação, o que influencia a sua escrita com uma sensibilidade única para a natureza e metáforas orgânicas, como a da 'porta' que pode simbolizar tanto oportunidade como barreira.


