Frases de António Vieira - A admiração é filha da igno

Frases de António Vieira - A admiração é filha da igno...


Frases de António Vieira


A admiração é filha da ignorância, porque ninguém se admira senão das coisas que ignora, principalmente se são grandes; e mãe da ciência, porque admirados os homens das coisas que ignoram, inquirem e investigam as causas delas até as alcançar, e isto é o que se chama ciência.

António Vieira

Esta citação de António Vieira revela o paradoxo da admiração: nasce da ignorância, mas é precisamente essa mesma admiração que nos impele a superá-la, dando origem ao conhecimento. É um ciclo onde a humildade perante o desconhecido se transforma na força motriz da descoberta.

Significado e Contexto

A citação de António Vieira estrutura-se num raciocínio dialético que começa por identificar a admiração como 'filha da ignorância'. Isto significa que só nos admiramos verdadeiramente com aquilo que não compreendemos, especialmente se for grandioso ou complexo. No entanto, Vieira inverte imediatamente esta premissa, declarando-a também 'mãe da ciência'. A admiração não é um estado final, mas um ponto de partida. O espanto perante o desconhecido gera uma inquietação intelectual – o desejo de 'inquirem e investigam as causas' – que conduz à busca ativa de respostas. O processo de investigação, motivado pela admiração inicial, é o que culmina na aquisição de conhecimento, definido aqui como 'ciência'. Portanto, a frase descreve um ciclo virtuoso onde a ignorância, ao gerar admiração, despoleta o processo que a própria irá dissipar.

Origem Histórica

António Vieira (1608-1697) foi um dos maiores prosadores da língua portuguesa, padre jesuíta, diplomata e orador sacro do período barroco. A sua obra reflete o contexto da Contra-Reforma, da expansão marítima portuguesa e dos debates filosóficos e teológicos da época. Esta visão sobre a admiração e a ciência alinha-se com o espírito humanista e inquisitivo do século XVII, que via na razão e na observação caminhos para compreender tanto a natureza como a fé. A frase provavelmente integra os seus 'Sermões', onde frequentemente explorava temas filosóficos com profundidade retórica.

Relevância Atual

Esta ideia mantém uma relevância extraordinária na atualidade. Num mundo inundado de informação, a citação lembra-nos que o verdadeiro conhecimento começa não com a presunção de saber, mas com a humildade de reconhecer o que não sabemos. É a base da metodologia científica: uma observação que causa admiração ou perplexidade leva à formulação de uma hipótese e à sua investigação. Além disso, numa era de inovação acelerada, a capacidade de se admirar com o novo e de usar essa curiosidade como motor para aprender é uma competência crucial, tanto na educação como na vida profissional.

Fonte Original: A citação é atribuída aos 'Sermões' de António Vieira, uma coleção extensa dos seus discursos religiosos e filosóficos. A localização exata dentro da obra pode variar conforme as edições.

Citação Original: A citação já está fornecida em português (a língua original de Vieira).

Exemplos de Uso

  • Um aluno, ao observar pela primeira vez as fases da Lua através de um telescópio, sente admiração. Essa admiração leva-o a pesquisar e a compreender a mecânica celeste, transformando ignorância em conhecimento astronómico.
  • Um engenheiro depara-se com um material com propriedades físicas surpreendentes. A admiração perante esse fenómeno desconhecido motiva uma investigação profunda que pode culminar numa nova descoberta científica ou numa inovação tecnológica.
  • Um turista visita um templo antigo e fica maravilhado com a sua arquitetura. Essa admiração inicial pode despertar o interesse pela história e pela engenharia daquela civilização, iniciando um processo de aprendizagem autodidata.

Variações e Sinônimos

  • A curiosidade é o princípio da sabedoria.
  • Só sei que nada sei (atribuído a Sócrates).
  • A dúvida é o princípio da sabedoria (Aristóteles).
  • Grandes descobertas surgem da capacidade de se espantar com o óbvio.

Curiosidades

António Vieira era tão famoso pela sua oratória que os seus sermões eram frequentemente transcritos e publicados, tornando-se bestsellers no século XVII. Dizia-se que as suas palavras podiam influenciar reis e alterar políticas.

Perguntas Frequentes

António Vieira considerava a ignorância uma coisa positiva?
Não diretamente. Vieira via a ignorância como um estado inicial e natural, mas a sua valorização está no facto de ela poder gerar admiração. O importante não é permanecer na ignorância, mas usar a admiração que dela nasce como combustível para a busca do conhecimento.
Esta citação aplica-se apenas à ciência?
Não. Embora Vieira use o termo 'ciência' no sentido mais lato de conhecimento sistemático, o princípio aplica-se a qualquer área de aprendizagem. A admiração perante uma obra de arte, uma língua desconhecida ou um problema social pode ser igualmente o ponto de partida para um aprofundamento nesse domínio.
Qual é a principal lição desta frase para a educação moderna?
A lição principal é a de valorizar e cultivar a curiosidade e o espanto nos alunos, em vez de os focar apenas na memorização de respostas. Criar momentos de 'admiração' genuína pode ser a chave para despertar o interesse intrínseco e a motivação para investigar e aprender de forma autónoma.
Há contradição em chamar à admiração 'filha' e 'mãe'?
Não, é uma figura de estilo (antítese ou paradoxo) que Vieira usa para ilustrar um ciclo dinâmico. A admiração é 'filha' no seu nascimento (causada pela ignorância) e 'mãe' na sua consequência (gera a ciência). Mostra como um estado pode transformar-se no seu oposto através da ação humana.

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