Frases de Ariano Suassuna - Que eu não perca a vontade de...

Que eu não perca a vontade de ter grandes amigos, mesmo sabendo que, com as voltas do mundo, eles acabam indo embora de nossas vidas.
Ariano Suassuna
Significado e Contexto
A citação de Ariano Suassuna aborda um paradoxo fundamental da condição humana: o desejo ardente por amizades profundas e significativas, contrastando com a consciência de que muitas dessas relações são temporárias devido às 'voltas do mundo' – mudanças geográficas, evolução pessoal, circunstâncias da vida. Não se trata de cinismo, mas de uma aceitação realista que não impede o ato de amar e criar vínculos. Suassuna sugere que o valor da amizade reside na experiência partilhada, não necessariamente na sua duração eterna, e que perder a 'vontade' de se conectar por medo da perda seria uma perda maior. Num tom educativo, podemos interpretar esta frase como um convite à coragem emocional. Ensinar que as relações, mesmo as que terminam, moldam-nos e contribuem para o nosso crescimento. A ênfase está em 'não perder a vontade', ou seja, cultivar uma postura aberta e generosa perante a vida e os outros, sem deixar que o conhecimento da impermanência nos torne fechados ou receosos. É uma lição sobre equilíbrio entre entrega e desapego.
Origem Histórica
Ariano Suassuna (1927-2014) foi um dramaturgo, romancista, poeta e ensaísta brasileiro, figura central do Movimento Armorial, que buscava criar uma arte erudita a partir das raízes populares nordestinas. A sua obra é marcada por um profundo humanismo, humor e reflexão sobre valores eternos, frequentemente ambientada no sertão nordestino. Esta citação reflete a sabedoria popular e a visão filosótica que permeiam a sua escrita, influenciada pela cultura regional, pela fé católica e por uma consciência aguda das contradições e belezas da vida humana.
Relevância Atual
Num mundo globalizado e de conexões digitais muitas vezes superficiais, a frase de Suassuna ganha uma relevância pungente. Lembra-nos da importância de cultivar amizades autênticas e profundas, mesmo numa era de mobilidade constante onde as pessoas se mudam com frequência e os ciclos sociais são acelerados. A frase ressoa com quem experiencia a saudade de amigos distantes, o 'desgaste' natural de algumas amizades, ou o desafio de fazer novas conexões genuínas na idade adulta. É um antídoto contra o isolamento e um lembrete para valorizar cada vínculo no seu momento presente.
Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a Ariano Suassuna em coletâneas de pensamentos e citações, embora a obra específica de origem não seja sempre citada. É consistente com os temas e o estilo presentes na sua vasta obra literária e dramática.
Citação Original: Que eu não perca a vontade de ter grandes amigos, mesmo sabendo que, com as voltas do mundo, eles acabam indo embora de nossas vidas.
Exemplos de Uso
- Num discurso de formatura, para enfatizar a importância de manter os laços feitos na universidade, mesmo que os caminhos profissionais se separem.
- Num texto sobre adaptação a uma nova cidade, encorajando a fazer novos amigos sem medo, apesar da saudade dos antigos.
- Numa reflexão sobre envelhecimento, aceitando que alguns amigos de infância já não fazem parte do dia a dia, mas o seu valor permanece.
Variações e Sinônimos
- "Os amigos vêm e vão, como as ondas do mar, mas o verdadeiro permanece no coração." (Ditado popular)
- "Amar é correr o risco de perder, mas não amar é perder a oportunidade de viver." (Adaptação de pensamentos similares)
- "Nada é permanente, exceto a mudança." (Heráclito) – aplicado às relações.
- "Guarda os amigos que tens, mas abre espaço para os que hão de vir."
Curiosidades
Ariano Suassuna era conhecido por suas aulas-espetáculo, onde mesclava literatura, filosofia e humor. Muitas de suas frases mais célebres, como esta, nasciam dessas performances orais e só depois eram transcritas, o que por vezes torna difícil rastrear a fonte exata em livro.


