Frases de Clarice Lispector - Eu me dou melhor comigo mesma

Frases de Clarice Lispector - Eu me dou melhor comigo mesma ...


Frases de Clarice Lispector


Eu me dou melhor comigo mesma quando estou infeliz: há um encontro. Quando me sinto feliz, parece-me que sou outra. Embora outra da mesma. Outra estranhamente alegre, esfuziante, levemente infeliz é mais tranquilo.

Clarice Lispector

Esta citação de Clarice Lispector explora a paradoxal intimidade que podemos sentir com a infelicidade, sugerindo que a tristeza nos aproxima da nossa essência mais autêntica, enquanto a felicidade nos torna estranhos a nós mesmos.

Significado e Contexto

A citação revela uma perspetiva existencial onde a infelicidade é apresentada como um estado de maior autenticidade e conexão interior. Lispector sugere que, na tristeza, encontramos uma versão mais familiar de nós mesmos - há um 'encontro' com a essência pessoal. Pelo contrário, a felicidade é descrita como um estado que nos aliena, tornando-nos 'outra' pessoa, mesmo que sejamos 'outra da mesma'. Esta aparente contradição explora como as emoções negativas podem promover introspeção, enquanto as positivas podem criar uma sensação de estranheza perante a própria identidade. A frase 'levemente infeliz é mais tranquilo' encapsula a ideia de que um grau moderado de melancolia oferece serenidade, contrastando com a euforia 'esfuziante' da felicidade. Esta visão desafia a noção convencional de que a felicidade é sempre desejável, propondo que a infelicidade moderada permite uma existência mais reflexiva e autêntica. A obra de Lispector frequentemente explora estas nuances emocionais, questionando as dicotomias simplistas entre bem-estar e mal-estar.

Origem Histórica

Clarice Lispector (1920-1977) foi uma escritora brasileira de origem ucraniana, figura central do modernismo brasileiro. Esta citação reflete o seu estilo introspetivo e existencialista, característico da sua produção literária a partir dos anos 1960. O contexto histórico inclui o Brasil pós-guerra e durante a ditadura militar, períodos onde questões de identidade, alienação e autenticidade ganharam relevância na literatura. Lispector desenvolveu uma escrita que mergulhava na psique feminina e nas complexidades da condição humana, influenciada pelo existencialismo europeu e pela psicanálise.

Relevância Atual

Esta reflexão mantém extrema relevância na sociedade contemporânea, onde a pressão pela felicidade constante e a cultura da positividade tóxica predominam. Oferece um contraponto valioso à ideia de que devemos evitar a infelicidade a todo custo, validando a importância de aceitar estados emocionais diversos. Num mundo de redes sociais que frequentemente apresentam vidas idealizadas, a citação lembra-nos que a autenticidade pode residir em emoções menos glorificadas. Além disso, ressoa com discussões atuais sobre saúde mental que enfatizam a aceitação emocional em vez da supressão de sentimentos 'negativos'.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída à obra 'A Paixão Segundo G.H.' (1964) ou a escritos íntimos de Clarice Lispector, embora a localização exata possa variar em antologias e coletâneas das suas reflexões.

Citação Original: Eu me dou melhor comigo mesma quando estou infeliz: há um encontro. Quando me sinto feliz, parece-me que sou outra. Embora outra da mesma. Outra estranhamente alegre, esfuziante, levemente infeliz é mais tranquilo.

Exemplos de Uso

  • Na psicoterapia moderna, esta ideia é explorada quando se ajuda pacientes a aceitar a tristeza como parte integrante da sua identidade, em vez de a patologizar.
  • Em discussões sobre autocuidado, pode-se referir esta citação para defender que momentos de melancolia são oportunidades para autoconhecimento profundo.
  • Na crítica cultural, aplica-se para analisar como a literatura e o cinema contemporâneos valorizam personagens complexas que não se encaixam em ideais de felicidade permanente.

Variações e Sinônimos

  • A tristeza aproxima-nos de nós mesmos
  • Na melancolia encontro a minha verdade
  • A felicidade é uma estranha familiar
  • Ser infeliz é estar em casa consigo mesmo
  • A alegria é um exílio interior

Curiosidades

Clarice Lispector começou a escrever esta obra, 'A Paixão Segundo G.H.', enquanto vivia temporariamente na Suíça, longe do Brasil - um contexto de deslocamento que pode ter influenciado as suas reflexões sobre identidade e estranheza.

Perguntas Frequentes

O que significa 'outra da mesma' na citação?
Significa que, mesmo sentindo-se como uma pessoa diferente quando feliz, ainda é fundamentalmente a mesma pessoa - uma paradoxal alteridade dentro da própria identidade.
Por que é que a infelicidade pode ser mais tranquila?
Porque a infelicidade moderada, ao contrário da euforia da felicidade, não exige performance social nem gera a pressão de se manter num estado elevado, permitindo uma existência mais contemplativa e autêntica.
Esta visão é pessimista?
Não necessariamente. É antes uma visão realista e complexa que valoriza a plenitude da experiência humana, reconhecendo que a autenticidade pode surgir em estados emocionais diversos, incluindo os menos celebrativos.
Como se relaciona com o existencialismo?
Relaciona-se com temas existenciais como autenticidade, alienação e a busca por significado, sugerindo que o confronto com aspetos menos gloriosos da existência pode levar a um encontro mais verdadeiro consigo mesmo.

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