Frases de Ariano Suassuna - Não existe arte nova ou velha

Frases de Ariano Suassuna - Não existe arte nova ou velha...


Frases de Ariano Suassuna


Não existe arte nova ou velha, só boa ou ruim.

Ariano Suassuna

Esta afirmação desafia as categorizações temporais da arte, propondo que o verdadeiro valor artístico transcende modas e períodos históricos. Convida-nos a avaliar a qualidade intrínseca em vez de nos prendermos a rótulos cronológicos.

Significado e Contexto

A citação de Ariano Suassuna propõe uma visão despojada de preconceitos temporais sobre a arte. Ao afirmar que não existe arte 'nova' ou 'velha', o autor rejeita a ideia de que o valor artístico está ligado à contemporaneidade ou à antiguidade, sugerindo que estas são categorias superficiais. Em vez disso, defende que a única distinção válida é entre arte 'boa' ou 'ruim', focando-se na qualidade intrínseca da obra, independentemente da sua época de criação. Esta perspetiva convida a uma avaliação mais profunda, baseada em critérios estéticos e humanos universais, em vez de modas passageiras ou tradicionalismos cegos. Esta abordagem reflete uma postura anti-elitista, comum no pensamento de Suassuna, que valorizava a arte popular e acreditava que a verdadeira excelência artística pode ser encontrada em qualquer tempo ou contexto cultural. A frase desafia tanto os tradicionalistas, que podem desvalorizar expressões contemporâneas, como os modernistas radicais, que podem rejeitar formas clássicas. Ao centrar-se na 'bondade' ou 'maldade' da arte, Suassuna apela a um juízo crítico fundamentado, que transcende divisões artificiais e reconhece o valor atemporal das obras que comunicam eficazmente com o ser humano.

Origem Histórica

Ariano Suassuna (1927-2014) foi um destacado escritor, dramaturgo e poeta brasileiro, conhecido por sua defesa da cultura popular nordestina e por fundar o Movimento Armorial, que buscava criar uma arte erudita a partir de raízes populares. A citação reflete sua visão de que a arte deve ser julgada pela sua essência e qualidade, não pela sua aderência a correntes modernas ou tradicionais. Esta perspetiva emergiu num contexto de intensos debates artísticos no Brasil do século XX, entre modernismo, regionalismo e vanguardas, onde Suassuna posicionou-se como um defensor de uma síntese entre tradição e inovação, sempre com foco no valor humano da criação.

Relevância Atual

Esta frase mantém-se profundamente relevante hoje, numa era de superprodução cultural e debates frequentes sobre 'arte contemporânea' versus 'arte clássica'. Num mundo digital onde tendências surgem e desaparecem rapidamente, a afirmação de Suassuna serve como um lembrete para avaliarmos a arte pela sua substância e impacto emocional ou intelectual, em vez de pela sua novidade ou antiguidade. Ajuda a combater o ageísmo cultural – o preconceito contra obras mais antigas ou mais recentes – e incentiva uma apreciação mais equilibrada e crítica, essencial num cenário cultural globalizado e fragmentado.

Fonte Original: A citação é frequentemente atribuída a discursos, entrevistas e escritos de Ariano Suassuna, refletindo uma ideia central da sua filosofia artística. Não está identificada num livro ou obra específica única, mas permeia o seu pensamento expresso em obras como 'Auto da Compadecida' e em suas conferências sobre cultura e arte.

Citação Original: Não existe arte nova ou velha, só boa ou ruim.

Exemplos de Uso

  • Na crítica de um filme recente, um jornalista pode usar a frase para argumentar que, independentemente de ser uma produção atual, o que importa é a sua qualidade narrativa e técnica.
  • Um professor de artes visuais pode citar Suassuna ao discutir com alunos por que uma pintura renascentista pode ser tão 'contemporânea' na sua capacidade de comover como uma instalação digital.
  • Num debate sobre música, um ouvinte pode referir a citação para defender que um fado tradicional ou um rap moderno devem ser julgados pela sua autenticidade e expressão, não pelo género ou época.

Variações e Sinônimos

  • A arte não tem idade, só tem qualidade.
  • O que importa não é quando foi feita, mas como foi feita.
  • Não há arte moderna ou antiga, apenas arte com valor.
  • A boa arte é atemporal, a má arte é efémera.
  • Como diz o ditado popular: 'O bom vinho não precisa de etiqueta'.

Curiosidades

Ariano Suassuna, além de escritor, era um ávido colecionador de arte popular nordestina, e sua casa no Recife era repleta de peças que ilustravam sua crença na qualidade atemporal da arte vernacular, muitas vezes desprezada pelos círculos artísticos elitistas da época.

Perguntas Frequentes

O que Ariano Suassuna quis dizer com 'arte boa ou ruim'?
Suassuna referia-se a uma avaliação baseada na capacidade da arte de comunicar emoções, ideias ou beleza de forma eficaz e genuína, independentemente de padrões temporais ou modas.
Esta frase contradiz o conceito de arte contemporânea?
Não contradiz, mas desafia a supervalorização da novidade. Sugere que a arte contemporânea deve ser julgada pela sua qualidade, não apenas por ser 'nova', assim como a arte do passado não deve ser desvalorizada por ser 'velha'.
Como aplicar esta ideia na educação artística?
Incentivando alunos a analisar obras de diferentes épocas com critérios comuns de qualidade, como originalidade, técnica, expressividade e impacto emocional, promovendo um olhar crítico além de categorias cronológicas.
Esta visão é subjectiva ou objectiva?
É uma perspetiva que reconhece a subjectividade do gosto, mas propõe que há parâmetros mais universais de qualidade artística (como coerência, mestria técnica e profundidade) que podem guiar um juízo mais fundamentado.

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