Frases de José Luís Peixoto - Porque a minha vontade tem o t...

Porque a minha vontade tem o tamanho de uma lei da terra. Porque a minha força determina a passagem do tempo. Eu quero. Eu sou capaz de lançar um grito para dentro de mim, que arranca árvores pelas raízes, que explode veias em todos os corpos, que trespassa o mundo. Eu sou capaz de correr através desse grito, à sua velocidade, contra tudo o que se lança para deter-me, contra tudo o que se levanta no meu caminho, contra mim próprio. Eu quero. Eu sou capaz de expulsar o sol da minha pele, de vencê-lo mais uma vez e sempre. Porque a minha vontade me regenera, faz-me nascer, renascer. Porque a minha força é imortal.
José Luís Peixoto
Significado e Contexto
Esta citação apresenta a vontade humana como uma força cósmica e legislativa, equiparando-a a 'uma lei da terra' que determina a própria passagem do tempo. Através de imagens violentas e hiperbólicas (arrancar árvores, explodir veias, trespassar o mundo), Peixoto explora a capacidade transformadora e destrutiva da determinação humana quando levada ao extremo. O texto desenvolve-se como um manifesto de autossuperação, onde o 'eu' confronta não apenas obstáculos externos, mas também as suas próprias limitações, culminando na ideia de regeneração e imortalidade através da força de vontade. A repetição de 'Eu quero. Eu sou capaz' estrutura um ritmo incantatório que reforça a mensagem de empoderamento. A metáfora de 'expulsar o sol da minha pele' sugere uma vitória sobre ciclos naturais e uma afirmação de autonomia radical. A citação pertence à tradição literária que exalta o potencial humano, aproximando-se de conceitos filosóficos como a vontade de poder nietzschiana, mas com uma linguagem visceral e poética característica do autor.
Origem Histórica
José Luís Peixoto (n. 1974) é um dos escritores portugueses contemporâneos mais premiados e traduzidos internacionalmente. A citação reflete temas recorrentes na sua obra: a exploração dos limites humanos, a relação entre o indivíduo e o cosmos, e a tensão entre a fragilidade e a resiliência. Surgindo no contexto literário português pós-revolução, a sua escrita combina realismo mágico com uma profunda introspeção psicológica, afastando-se do realismo social dominante em gerações anteriores.
Relevância Atual
Esta citação mantém relevância contemporânea como antídoto literário a culturas de vitimização e passividade. Num mundo marcado por incertezas globais, crises existenciais e discursos de limitação, a exaltação da vontade como força regeneradora oferece um modelo de resiliência ativa. É frequentemente citada em contextos de coaching, desenvolvimento pessoal e discussões sobre saúde mental, representando a capacidade humana de reconstrução mesmo perante adversidades extremas.
Fonte Original: A citação é retirada do romance 'Nenhum Olhar' (2000), obra que consagrou José Luís Peixoto e venceu o Prémio José Saramago. O livro explora a vida numa aldeia alentejana através de múltiplas vozes narrativas, com esta passagem representando um momento de clímax emocional e filosófico.
Citação Original: Porque a minha vontade tem o tamanho de uma lei da terra. Porque a minha força determina a passagem do tempo. Eu quero. Eu sou capaz de lançar um grito para dentro de mim, que arranca árvores pelas raízes, que explode veias em todos os corpos, que trespassa o mundo. Eu sou capaz de correr através desse grito, à sua velocidade, contra tudo o que se lança para deter-me, contra tudo o que se levanta no meu caminho, contra mim próprio. Eu quero. Eu sou capaz de expulsar o sol da minha pele, de vencê-lo mais uma vez e sempre. Porque a minha vontade me regenera, faz-me nascer, renascer. Porque a minha força é imortal.
Exemplos de Uso
- Em discursos motivacionais sobre superação de obstáculos pessoais ou profissionais.
- Como epígrafe em trabalhos académicos sobre psicologia da resiliência ou filosofia da vontade.
- Em contextos terapêuticos para ilustrar a capacidade de regeneração após traumas ou crises existenciais.
Variações e Sinônimos
- 'Onde há vontade, há força' (provérbio adaptado)
- 'A vontade move montanhas' (provérbio popular)
- 'O homem é aquilo que a sua vontade faz dele' (adaptação de conceitos filosóficos)
- 'Nada pode contra uma vontade determinada' (máxima de autoajuda)
Curiosidades
José Luís Peixoto escreveu 'Nenhum Olhar' aos 26 anos, tornando-se o vencedor mais jovem do Prémio José Saramago. O romance foi traduzido para mais de 30 línguas e adaptado para cinema em 2010, com realização de Edgar Pêra.