Frases de Oscar Wilde - Antigamente usava-se canonizar

Frases de Oscar Wilde - Antigamente usava-se canonizar...


Frases de Oscar Wilde


Antigamente usava-se canonizar os heróis; hoje vulgarizamo-los. Edições baratas de grandes livros podem ser magníficas, mas edições baratas de grandes homens são absolutamente detestáveis.

Oscar Wilde

Esta citação de Oscar Wilde confronta a nobreza do passado com a banalidade do presente, questionando como a sociedade contemporânea reduz a grandeza humana a produtos de consumo. É uma reflexão sobre a perda da aura sagrada dos heróis na era da massificação.

Significado e Contexto

A citação de Oscar Wilde estabelece um contraste entre duas épocas: no passado, os heróis eram 'canonizados', ou seja, elevados a um estatuto quase sagrado, respeitados e venerados pela sua excelência. No presente, 'vulgarizamo-los', transformando-os em produtos acessíveis e banais, destituídos da sua aura especial. Wilde aprova que livros importantes se tornem acessíveis através de edições económicas, pois isso democratiza o conhecimento. No entanto, condena veementemente que se faça o mesmo com 'grandes homens', pois reduzir figuras humanas exemplares a caricaturas ou produtos de consumo destrói a sua essência e o valor do seu exemplo.

Origem Histórica

Oscar Wilde (1854-1900) escreveu durante a era vitoriana, um período de profundas transformações sociais, industriais e culturais. A ascensão da classe média, a expansão da imprensa e os primórdios da cultura de massas começavam a homogenizar o gosto e a banalizar figuras públicas. Wilde, como esteta e crítico social, posicionava-se contra o utilitarismo e a falta de refinamento que via na sociedade burguesa do seu tempo.

Relevância Atual

A frase mantém uma relevância extraordinária na era das redes sociais, do 'clickbait' e da cultura 'celebrity'. Figuras históricas ou contemporâneas de mérito são frequentemente reduzidas a 'memes', simplificadas em manchetes sensacionalistas ou transformadas em produtos de marketing, perdendo a complexidade e a profundidade das suas ações e ideias. A crítica de Wilde alerta para o perigo de perdermos a capacidade de distinguir e respeitar a verdadeira grandeza humana.

Fonte Original: A frase é do ensaio 'The Critic as Artist', publicado na coletânea 'Intentions' (1891).

Citação Original: "In old days books were written by men of letters and read by the public. Nowadays books are written by the public and read by nobody." (Nota: A citação fornecida parece uma paráfrase ou adaptação comum. A citação exata mais próxima no espírito, do mesmo ensaio, é esta, que critica a banalização da literatura.)

Exemplos de Uso

  • A cobertura mediática sensacionalista de figuras políticas ou científicas, focando escândalos em vez de contribuições.
  • A transformação de líderes históricos em personagens simplificadas em filmes blockbuster ou séries de TV.
  • A cultura 'influencer', onde a fama instantânea e superficial substitui o mérito construído ao longo do tempo.

Variações e Sinônimos

  • Deitar pérolas a porcos.
  • Nem tudo o que reluz é ouro.
  • A popularidade é a glória dos parvos (adaptação do aforismo de Victor Hugo).
  • Vender a alma por um prato de lentilhas.

Curiosidades

Oscar Wilde foi um mestre do aforismo e da frase paradoxal. Muitas das suas citações mais famosas são, na verdade, paráfrases ou adaptações feitas a partir das suas obras e conversas, difundidas pela cultura popular, o que ironicamente exemplifica o fenómeno de 'vulgarização' que ele próprio criticava.

Perguntas Frequentes

O que significa 'canonizar os heróis'?
Significa elevá-los a um patamar de santidade ou perfeição quase divina, tratando-os com reverência extrema e separando-os do comum dos mortais.
Por que é que edições baratas de grandes homens são 'detestáveis' para Wilde?
Porque reduzem a complexidade, a integridade e a grandeza moral de uma pessoa a uma caricatura acessível, destruindo o seu valor como exemplo e banalizando a excelência humana.
Esta crítica aplica-se apenas a pessoas?
Não. O princípio aplica-se a ideias, obras de arte e valores. Wilde defende que algumas coisas perdem o seu significado e poder quando são excessivamente simplificadas e massificadas.
Wilde era contra a democratização da cultura?
Não era contra o acesso (como mostra no exemplo dos livros), mas sim contra a perda de qualidade, profundidade e respeito no processo. Para ele, a vulgarização era uma degradação, não uma democratização genuína.

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